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Académicos: Resposta a tufões deve incluir saúde mental
Sábado, 19/01/2019
Brian Hall e Elvo Sou, dois co-autores de um estudo que analisou o stress pós-traumático causado pelo tufão Hato nos alunos da Universidade de Macau, defendem a importância do apoio psicológico em situações de crises e consideram necessário haver mais preparação para dar resposta a casos relacionados com a saúde mental dos residentes.

“Depois do Hato houve muitas pessoas afectadas, por isso faria sentido. Foram feitos muitos esforços no que diz respeito à melhoria das infraestruturas de Macau e a diferentes tipos de resposta, mas a resposta à parte psicológica foi deixada de fora”, aponta o líder da investigação, Brian Hall.

O académico considera “fundamental” incluir peritos em acompanhamento psicológico e gestão de stress em situação de desastre.

“Depois de um desastre, as pessoas têm problemas mentais e esses problemas podem requerer alguma intervenção. Isto sugere que deveríamos estar a planear para futuros desastres. Isto demonstra que depois de um desastre, as pessoas têm problemas mentais e esses problemas podem requerer alguma intervenção”, refere.

Para Brian Hall, é necessário “ter um bom plano sobre o que fazer num desastre”, até pela frequência registada.

“No ano passado tivemos outro tufão. Estas coisas têm tendência a ser mais frequentes, por isso a preparação para os desastres é obviamente muito improtante. (...) Se uma pessoa estiver preparada é menos provável reagir com stress. Além de que uma reacao de stress depende da garvidade do desastre”.

A preparação pode passar pela inclusão de psicólogos na equipa do Centro de Operações da Protecção Civil (COPC), defende, por sua vez, Elvo Sou.

“A parte psicológica vai ser sempre falada. Por isso, é bastante importante termos um mecanismo para grandes desastres como o Hato, de forma a que possamos responder de forma unida. Esta coordenação é muito importante, e só pode acontecer se o Governo liderar”, observa.

O estudo concluiu que 5,1 por cento de cerca de 1900 alunos da Universidade de Macau manifestaram sinais de stress pós-traumático na sequência do Hato.

“No futuro, quando houver outro desastre, podemos esperar que entre 5 por cento e 10 por cento da nossa população estudantil venha a ter algum tipo de problema psicológico”, estima Brian Hall.

“Isso significa que temos de estar preparados para isso. Gostaria de ver o estudo usado de uma forma muito prática, na criação de políticas relacionadas com a saúde mental”, salienta.

Fátima Valente