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Académico: criação do IAM afasta chance de reforma política
Sábado, 19/01/2019
A forma como foi criado o novo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) é um dos indicadores de que não está para breve qualquer mudança no sistema político de Macau. A ideia é defendida por Leon Ieong Meng U, professor do Departamento de Governo e Administração Pública da Universidade de Macau, em entrevista à TDM – Rádio Macau.

O académico estuda regimes autoritários – em especial, nesta região do Delta – e, recentemente, publicou um artigo sobre a forma como os estudantes de Macau olharam para o Movimento dos Guarda-Chuvas em Hong Kong. Neste estudo, o professor defende que, para continuar a ser governável, Macau deve retomar as negociações com Pequim sobre a reforma política. Mas esclarece que esta é uma ideia praticamente inviável.

“É mais um desejo pessoal. Na prática, é muito pouco provável que aconteça uma reforma política em Macau num futuro próximo. Podemos ver pelo caso do IAM: foi tomada uma opção muito conservadora, sem eleições, todos são nomeados. A partir de casos deste tipo, podemos concluir que é muito pouco provável que venha a acontecer uma reforma política em Macau”, explica o investigador.

Por outro lado, Leon Ieong considera que o actual Governo em Pequim “é conservador” e “não pode correr qualquer risco de vir a ter um candidato a Chefe do Executivo em Hong Kong e Macau no qual não possa confiar plenamente”.

“Se [Pequim] abrir a porta ao sufrágio universal [em Macau], livre de qualquer manipulação, como pode ter garantias? Na verdade, acredito que, mesmo com sufrágio universal, o candidato apoiado por Pequim teria muitas mais hipóteses de vencer as eleições. Mas Pequim não pode ter este tipo incerteza [...]. A única forma de garantir a 100 por cento que o Chefe do Executivo é o candidato escolhido por Pequim é não fazer nada, simplesmente manter o actual sistema”, defende o professor da Universidade de Macau.

Neste contexto, Leon Ieong não acredita que o próximo Chefe do Executivo vá mudar algo no sistema político vigente. O académico entende que a que a forma de governar Macau vai manter-se, com o Governo a afirmar-se através de medidas de controlo social e da partilha moderada de poder na tomada de decisões, através de consultas públicas. “É este o desenho do sistema político de Macau. É um jogo com regras. Se o próximo Governo quiser continuar o jogo, tem de seguir a mesma regra – a não ser que aconteça algo que leve o Governo a pensar em mudar as regras do jogo. Mas não vejo nada neste sentido”, refere.

Leon Ieong admite que as tensões entre o campo pró-regime e o campo pró-democracia em Macau devem manter-se nos próximos tempos. No entanto, a dois anos das próximas eleições, o investigador deixa também um alerta à ala democrata: é “urgente” resolver a questão da renovação de quadros.

“Os dois pioneiros, Ng Kuok Cheong e Au Kam San, já disseram que, muito provavelmente, não vão participar nas próximas eleições para a Assembleia Legislativa. Haverá duas vagas para novos candidatos. Quem é que o campo pró-democracia vai apoiar nas próximas eleições é um problema muito urgente para ser considerado. Provavelmente, devem aparecer dois candidatos mais jovens. Se forem eleitos para a Assembleia Legislativa, vão trazer algo de diferente? É algo que podemos esperar ver”, afirma o académico, acrescentando que, “mesmo que isto tudo aconteça, não vai haver alterações na actual estrutura política interna da Assembleia”.

A entrevista a Leon Ieong foi transmitida este sábado, às 12h00. Pode ser ouvida, de novo, na 98 FM na segunda-feira, às 10h30, ou a qualquer hora nas plataformas digitais da TDM.

Sónia Nunes com Sofia Jesus