Em destaque

22 de Março 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.2311 patacas e 1.1378 dólares norte-americanos.

JLL antecipa imobiliário sob pressão em 2019
Quarta, 16/01/2019
O mercado imobiliário de Macau vai estar sob pressão em 2019, prevê a consultora internacional JLL.

Em conferência de imprensa, esta tarde, Jeff Wong, director sénior de Mercados de Capital da empresa, estimou que o sector imobiliário se vai ressentir este ano da turbulência na economia mundial: “No mercado de vendas, vê-se que há muitas incertezas na economia global, em particular, acreditamos que o abrandamento da economia chinesa vai ter impacto nas receitas do jogo. Parece que o mercado residencial vai ter muito mais pressão do que em 2018”.

Os representantes da consultora imobiliária em Macau entendem que deverá registar-se em 2019 uma correcção do mercado residencial de um segmento mais elevado entre 5 a 10 por cento e de 0 a 5 por cento no mercado de massas.

Quanto ao mercado de arrendamento, Jeff Wong espera que a tendência se mantenha estável: “Acreditamos que o mercado de arrendamento será muito mais estável, mais ou menos como o do ano anterior. Vemos que ainda há muita importação de trabalhadores para sustentar o crescimento da economia de Macau. Em concreto, ainda vão abrir alguns hotéis e casinos. Portanto, ainda existe procura e, assim, temos uma melhor perspectiva”.

A JLL defende ainda que o Governo deve elevar o limite máximo do rácio do empréstimo para compra de imóveis.

Actualmente, a medida em vigor desde meados de 2017 que permite acesso a uma maior proporção do crédito abrange apenas o imobiliário avaliado até oito milhões de patacas.

O director-geral da JLL, Gregory Ku, considera que esse limite deve ser aumentado para 12 milhões: “Por que dizemos 12 milhões? Estamos a pensar naqueles que querem mudar para uma casa maior. Normalmente, é de um com dois quartos para um com três. Actualmente, um T3 na Taipa, num prédio com 10 anos, custa entre 10 a 12 milhões. Alguns, maiores, custam 15 milhões. Mas a maioria varia entre 10 e 12 milhões. Por isso, se o Governo elevar o limite até aos 12 milhões, vai facilitar os residentes a mudarem de casa”.

Gregory Ku argumenta ainda que “a maioria das propriedades que valem menos de oito milhões de patacas já foi absorvida”.

Nesse sentido, o director-geral argumenta que o Governo deve também aumentar a oferta de terrenos para construção de habitação: “Temos terrenos. Temos aterros, há muitas zonas. O Governo reclamou mais de 70 lotes. Claro que há questões judiciais, mas mais tarde ou mais cedo isso estará resolvido. O Governo tem novas terras e pode fazer novos leilões. Temos a parte antiga. Depois da consulta, o próximo Governo pode pensar em como planear as zonas antigas de Macau, como criar espaços novos aí”.

Todavia, Gregory Ku considera também que entre as prioridades do Governo deveria estar ainda resolver a falta de espaços comerciais, sobretudo nos segmentos “premium”: “As pessoas e o Governo falam muito da habitação pública, do mercado residencial, mas o Governo devia pensar nos escritórios. Não temos terrenos para escritórios. Precisamos de mais, senão as pessoas vão para a Ilha da Montanha”.

Relativamente a espaços comerciais, a JLL tem a expectativa que haja um ajustamento em baixa do preço dos arrendamentos, uma vez que é aguardada a disponibilização, este ano, de mais de um milhão de pés quadrados deste tipo de propriedades.

No que toca às vendas de espaços para fins comerciais, a JLL diz que nos primeiros onze meses de 2018 houve um total de 595 transacções representando um crescimento anual de 12,7 por cento.

A empresa refere que as zonas turísticas foram as mais atractivas, destacando dois negócios multimilionários envolvendo duas lojas na Praça de D. Afonso Henriques e na Avenida do Infante D. Henrique, vendidas por 300 milhões de dólares de Hong Kong e 200 milhões de dólares de Hong Kong, respectivamente.

Hugo Pinto