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Falta de docentes e doenças são entrave a curso de Medicina
Segunda, 14/01/2019
A criação do curso de medicina na Universidade de Ciência e Tecnologia só vale a pena se for garantida a qualidade do ensino. É a opinião do médico Rui Furtado que manifesta, no entanto, reservas em relação à capacidade de Macau para atrair bons professores de medicina.

“Não estou a ver e custa-me um pouco a crer como é que Macau, com a dificuldade que tem para recrutar médicos para os Serviços de Saúde e para os Hospitais, vai atrair médicos com qualidade técnica e académica para constituir o corpo docente de uma universidade. Esta para mim é a primeira e grande dificuldade de um curso de medicina em Macau”, apontou.

Outro problema elencado por Rui Furtado é a falta de dimensão da cidade e de patologias que são fundamentais para a formação prática dos futuros médicos. “Um curso de medicina não se faz com doentes com gripe, com pneumonia, úlceras ou cancro gástrico. Um curso de medicina implica que haja uma patologia variada em todos os campos. E isso eu não vejo que se consiga em Macau de forma nenhuma, a não ser que se importem doentes, o que também não me parece possível”, refere.

Se não forem garantidas estas condições de qualidade, Rui Furtado diz o destino do projecto da Universidade de Ciência e Tecnologia está traçado. “Estará votado ao fracasso porque quando se faz uma licenciatura em medicina tem que existir qualidade. Se não existir qualidade, não vale a pena, as pessoas vão para outro lado”, conclui.

Para o clínico, a solução mais racional passa por promover a formação de pessoal médico de Macau em Hong Kong, que se destaca como um centro de excelência na área da medicina.

André Jegundo