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Professor da UM surpreso com candidatura a reitor em Coimbra
Segunda, 14/01/2019
Yang Chen, professor de Matemática na Universidade de Macau, admite ter ficado surpreendido com a notícia de que, na semana passada, foi admitido como candidato a reitor da Universidade de Coimbra.

Em declarações à TDM – Rádio Macau, o académico de Singapura confessa a falta de experiência na área da gestão administrativa, mas diz acreditar que a eleição será boa em termos pessoais e também para aquela que é a universidade mais antiga de Portugal.

As eleições para a reitoria da Universidade de Coimbra realizam-se no próximo dia 11 de Fevereiro, tendo cinco candidatos, de um total de dez, sido admitidos, incluindo três académicos portugueses e uma brasileira.

À TDM – Rádio Macau, Yang, que não fala português, nunca visitou Coimbra ou dirigiu uma universidade ou departamento, reconhece ter ficado “bastante surpreendido” ao saber que o Conselho Geral da Universidade de Coimbra, o órgão responsável pela eleição do reitor, admitiu a candidatura.

De acordo com as regras da instituição de ensino superior portuguesa, “podem candidatar-se ao cargo de reitor os professores e investigadores doutorados da Universidade de Coimbra ou de outras instituições de ensino universitário ou de investigação, nacionais ou estrangeiras, que não se encontrem na situação de aposentado ou jubilado”.

Apesar de se confessar surpreso, Yang Chen não hesita quando lhe perguntam por que é que se candidatou a reitor de uma das instituições de ensino mais antigas do mundo: “Esta é uma razão muito franca – o meu contrato com a Universidade de Macau vai até 15 de Agosto de 2020. Por isso, pensei: o meu cérebro continua a funcionar, sinto-me capaz, gostava de continuar a trabalhar. Fui à internet, fiz umas pesquisas, vi o anúncio e candidatei-me. Tenho 61 anos e penso em afastar-me da investigação e dedicar-me a um trabalho mais administrativo. Passei praticamente toda a vida adulta na universidade”.

Apesar de não ter experiência na gestão administrativa, Yang nota que passou por algumas das melhores instituições de ensino do mundo, incluindo o Imperial College, no Reino Unido.

Todas as instituições têm “características individuais” que as distinguem, refere Yang, contrapondo que, por outro lado, há sempre algo em comum: “No fundo, todas as universidades precisam de dinheiro – para pagar aos funcionários, para melhorar os programas, para ter bons alunos, boas faculdades. Tudo isto custa dinheiro”.

É um facto incontornável que este professor de Matemática na Universidade de Macau desde 2012 destaca fazendo do financiamento a grande prioridade do programa que propõe como reitor da Universidade de Coimbra.

Nesse sentido, promete empenho num “fluxo mais estável” de alunos chineses: “Se formos bem sucedidos em atrair estudantes chineses nos mestrados e doutoramentos, haverá receitas”, garante.

No processo de eleição do reitor da Universidade de Coimbra para o mandato 2019-2023 está prevista uma audição pública dos candidatos no dia 4 de Fevereiro.

Yang Chen diz que ainda aguarda a “luz verde” da Universidade de Coimbra sobre se pode fazer a apresentação na língua inglesa.

Yang é licenciado em Física pela Universidade Nacional de Singapura, obteve um mestrado também em Física no Instituto da Tecnologia de Illinois, nos Estados Unidos, o mesmo país onde, em 1987, se doutorou, igualmente em Física, na Universidade de Massachusetts.

No breve programa de acção de duas páginas que propõe para o mandato de quatro anos como reitor da Universidade de Coimbra, Yang Chen destaca o financiamento, prometendo que vai dar “apoio total a todas as faculdades”, procurando dinheiro em Portugal e nas agências europeias.

“Adicionalmente”, acrescenta, propõe um “fluxo mais estável de financiamento proveniente de estudantes da China”.

No ano passado, a Universidade de Coimbra atingiu, pela primeira vez, 20 por cento de estudantes internacionais, sendo a instituição de ensino superior portuguesa com o maior número de alunos estrangeiros.

Em 2017, cerca de 200 alunos chineses frequentavam a Universidade de Coimbra.

Hugo Pinto