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Economista: capital declarado nas fronteiras virá de bancos
Quinta, 10/01/2019
O economista Albano Martins admite que boa parte do dinheiro declarado na fronteira resulta de transacções normais feitas pelo próprio sistema financeiro.

No último ano, foram declarados mais de 238 mil milhões de patacas à entrada e saída de Macau, com a entrada em vigor, em Novembro de 2017, da nova lei sobre o “controlo do transporte de numerário e de instrumentos negociáveis ao portador”.

“Há nestes números muita operação financeira que é natural e normal”, diz Albano Martins. “Outro tipo de moedas além da pataca – incluindo o dólar de Hong Kong – são mandados pelos bancos locais, através da alfândega para o exterior, para serem depositados em Hong Kong. E, às vezes, são grandes quantidades de dinheiro”.

Entre Novembro de 2017 e Novembro de 2018, foi declarado um total de 52,8 mil milhões de patacas à entrada da fronteira. Na saída, há registo de saída de 185,6 mil milhões de patacas.

Albano Martins explica que também é “normal” que haja mais capital a sair do que a entrar. “Macau é uma economia aberta e, em regra cujo o rendimento interno é menor que o produto interno bruto, o que significa que os fluxos gerados no território saem mais do que os fluxos que entram”, indica.

“São números muito grandes: se olharmos para os rendimentos de factores externos, remunerações pela actividade produtiva, saíram, em 2016, 61 mil milhões de patacas e entraram 31 mil milhões”, refere Albano Martins. No caso dos valores declarados agora nas fronteiras, a diferença entre a entrada e saída de capital “é mais do dobro”, mas o economista ressalva que faltam dados estatísticos para fazer uma análise dos números.

Apesar de haver agora mais mecanismos de controlo, Albano Martins acredita que “não temos uma noção ainda exacta do volume de capais que efectivamente entra e sai de Macau”. “Tenho curiosidade para saber se as saídas de capitais nos rendimentos de factores produtivos vão ser inferiores aos declarados nas fronteiras”, diz.

Sónia Nunes