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Estudo:estudantes dão sinais ao Governo pró-reforma política
Sexta, 04/01/2019
Os estudantes de Macau aprovam o pedido de sufrágio universal reivindicado pelo Movimento dos Guarda-chuvas – é um apoio moderado, com 90 por cento dos inquiridos a indicar que concordam, embora não totalmente. São os resultados de um estudo, feito pelo académico da Universidade de Macau Leon Ieong Meng U e divulgado hoje no Jornal Tribuna de Macau.

No artigo (o primeiro a analisar a “atitude” dos estudantes universitários de Macau perante o “Occupy Central”) Leong Ion chega também à conclusão que, quanto mais os jovens apoiam o sufrágio universal, menos confiança depositam no Governo de Macau e no Governo Central – uma tendência que, avisa o académico, pode aumentar a possibilidade de os estudantes se envolverem em manifestações, como alternativa às formas oficiais de participação política.

Para o Governo de Macau, “há boas e más notícias”, indica Leong Ieong, ao constatar que a população mobiliza-se por questões sociais básicas, como a habitação ou o trânsito e não por grandes causas, como a reforma política.

“Olhando para o lado positivo, os protestos motivados por insatisfação social continuam esporádicos e não sistemáticos. Mas se o Governo de Macau não fizer qualquer esforço para melhorar o desempenho governativo, vai exacerbar o défice de legitimidade herdado que gera uma crise de governação a longo prazo”, pode ler-se no estudo.

O académico sublinha que, nos últimos anos, aumentaram as críticas ao campo pró-Pequim e o Governo de Macau por “ignorarem” as reivindicações na área da habitação, combate à corrupção e responsabilização da classe política.

Ieong diz ainda que os resultados do inquérito revelam “de forma clara” que os estudantes têm falta de confiança no Governo de Macau, o que pode ser lido como um sinal de “crise de legitimidade do regime”.

O estudo revela ainda que há um grupo de estudantes que está disposto a expressar o que pensa, desafiando a elite através de acções de rua como protestos.

É com o apoio moderado dado pelos estudantes de Macau ao Movimento dos Guarda-chuvas (os resultados apontam para uma média de 6,7 pontos, numa escala em que 1 significa “discordo totalmente” e 10 quer dizer “concordo totalmente”, Leon Ieong deixa uma sugestão. Diz o académico que, para o Governo de Macau manter a confiança da população, deve “negociar com Pequim para retomar a reforma política”.

Ieong Meng U diz ainda que é “natural” que os jovens de Macau tenham acompanhado com interesse os acontecimentos em Hong Kong: “Havendo cedências da parte de Pequim, podia ser um sinal de que Macau teria a oportunidade de retomar a via da reforma política”, nota.

Mais de metade dos entrevistados têm uma visão positiva sobre o movimento: entendem que os estudantes de Hong Kong estavam a lutar pela “democracia” e pela “importância de viver num sistema democrático”. Apenas uma minoria descreve os estudantes de Hong Kong como “oportunistas”, “conspiradores” ou “à procura da luz da ribalta”.

Sónia Nunes