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Diversificar a economia só no longo prazo, diz Wang Tongsan
Terça, 17/04/2012

Não é possível diversificar a economia de Macau no curto prazo, mas no futuro, acabar com a dependência do jogo deve ser a prioridade, defende Wang Tongsan, economista e membro da Academia Chinesa de Ciências.

 

Em declarações aos jornalistas, esta tarde, o economista referiu que “na China, tanto o governo como a população pensam que o jogo não é algo positivo. Mas o facto é que, em Macau, as coisas são como são, e não é possível, no curto prazo, mudar. Mas no longo prazo devem pensar em mudar a estrutura industrial e diversificar o turismo, o sector dos serviços e diversificar a economia. Mas é uma tarefa para o longo prazo.”

 

A propósito da diversificação económica de Macau, Wang Tongsan lembrou que a Academia Chinesa de Ciências Sociais é a instituição que vai estudar formas de atingir esse objectivo: “O vosso governo tem um acordo com a Academia Chinesa de Ciências Sociais para estabelecer um projecto de investigação que vai estudar como desenvolver a indústria dos serviços em Macau e como gerar mais receitas para a população em geral. Espero que estes estudos possam recomendar algumas políticas para Macau. De qualquer forma, como Macau faz parte da China, à medida que a economia chinesa vai crescendo cada vez mais, também Macau vai seguir e beneficiar desse crescimento económico. Não há problema.”

 

Wang Tongsan foi o orador de uma palestra sobre a situação económica da China, dedicada aos membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo.

 

O economista destacou os objectivos traçados pelo governo central para este ano, incluindo o crescimento do PIB até sete e meio por cento. Em sentido contrário, referiu, devem seguir a taxa de desemprego e a inflação, com Pequim a determinar a meta de quatro por cento para o Índice de Preços no Consumidor. A meta é a mesma do ano passado, que, no entanto, foi ultrapassada. Todavia, para 2012, Wang prevê um cenário diferente: “De momento, a percentagem está abaixo dos quatro por cento, portanto posso dizer que conseguimos controlar a situação do IPC.”

 

Outro objectivo que Pequim quer atingir em 2012 é reduzir a dependência das exportações e estimular o consumo interno, até porque nos principais mercados para os produtos chineses, Estados Unidos e União Europeia, a recuperação da economia tarda em aparecer.

 

Sobre a a crise da dívida soberana na zona euro, Wang Tongsan diz que falta “um governo financeiro com autoridade”.

 

Já no que diz respeito aos Estados Unidos, uma situação recorrente tem que ver com a taxa de câmbio da moeda chinesa, que Washington acusa de artificialmente desvalorizada. Wang Tongsna acredita que, aos poucos, a política cambial, vai ser flexibilizada. O economista considera que essa é a tendência, até porque “um país, quando é forte, tem que promover a sua moeda até ao nível internacional.”