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Fórum Macau aponta falta de bilingues em áreas com o Direito
Sexta, 07/12/2018
O Direito é uma das áreas onde são precisos mais falantes de português e chinês, aponta Xu Yingzhen, a secretária-geral do Secretariado Permanente do Fórum Macau.

“A necessidade do mercado está a crescer nas áreas da cooperação económica, comercial, e inclusive [precisa da] ajuda de consultas de Direito, por exemplo. Acho que todos estes campos necessitam de talentos bilingues”, afirmou em declarações aos jornalistas à margem do seminário sobre o Ensino e Formação de Bilingues entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Dados da Associação dos Advogados indicam que 92 dos 402 advogados inscritos falam as duas línguas. O número baixa para 24 falantes de português e chinês entre os 133 advogados estagiários. A associação adverte, no entanto, que há casos em que o advogado fala as duas línguas, mas não escreve nem lê chinês.

Oriana Pun, vogal da Associação dos Advogados que marcou presença no seminário, faz parte do núcleo restrito dos que exercem advocacia e falam e escrevem português e chinês fluentemente.

Filha de tradutora, também ela foi tradutora. Exerceu a profissão durante oito anos nos tribunais, até abraçar o Direito.

Oriana Pun aponta a desproporção; observa que há mais bilingues chineses do que portugueses por razões históricas.

“Antes da transição [de Macau para a China], Portugal nunca apostou muito em formar quadros bilingues, especialmente quando estamos a falar de formar portugueses para aprenderem o chinês. Houve sempre mais chineses a aprenderem o português. mas acho que, mesmo agora, Macau sem ser uma cidade administrada pelo Governo português, Portugal pode apostar nisso porque o chinês já é uma língua muito falada, para além do inglês”, sublinha.

A advogada considera que a curto e médio prazo vai continuar a haver espaço em Macau para os advogados que não falam chinês, mas salienta que “é difícil dizer a longo prazo”.

Não obstante, a advogada defende que é sempre uma mais-valia saber mais uma língua: “Isto é também o que eu digo aos advogados chineses porque também há chineses que pensam que o português vai ser eliminado, que cada vez menos se usa, mas isso não pode ser verdade, porque embora nos tribunais se use mais o chinês, consultamos ainda muita doutrina ou até jurisprudência de Portugal. Por isso continuo a incentivar os chineses a aprenderem o português e vice-versa”.

O seminário decorre até Sábado na Universidade de Macau.

Fátima Valente