Em destaque

21 de Fevereiro 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.21 patacas e 1.13 dólares norte-americanos.

Balanço da visita de Xi: reforçada cooperação China-Portugal
Quinta, 06/12/2018
O Governo português garantiu ontem a Xi Jinping que está de portas abertas a mais investimento chinês. A mensagem foi deixada no final da visita do presidente da China a Portugal – uma visita onde foram assinados 17 acordos bilaterais, ficou patente a inclusão de Portugal na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e foi anunciado que o presidente português visita a China em Abril do próximo ano.

“Abrimos a porta, não só para reforçar investimento em activos onde empresas chinesas já têm vindo a investir em Portugal, mas para termos novos investimentos de raiz, a realizar por empresas chinesas em Portugal”, afirmou o primeiro-ministro português, António Costa, depois de um encontro com o presidente chinês.

O dia de ontem ficou marcado pela assinatura de 17 protocolos e memorandos entre os dois países, com António Costa a considerar que Portugal e a China entraram numa nova fase da cooperação económica.

O primeiro-ministro português destacou “a importância da afirmação estratégica do papel de Portugal na articulação da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ com o conjunto da conectividade entre a Europa e a Ásia” – algo que, defendeu António Costa, se deve traduzir “não só ao nível da rota marítima”, mas também, eventualmente, e “de acordo com a declaração comum” firmada agora por Pequim e Lisboa, ao nível das ligações aéreas entre os dois países.

Na terça-feira, o chefe de Estado chinês foi recebido por Marcelo Rebelo de Sousa. “A assinatura de um memorando de entendimento e a presença portuguesa na iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ no próximo ano [através da visita do presidente português a Pequim] simboliza bem a dimensão e a relevância da parceria que desejamos continuar a construir, com um diálogo político regular e contínuo, a pensar no muito que nos une”, afirmou o presidente português, para quem esta “primeira visita de Estado” de Xi Jinping a Portugal “pode fazer história”.

Também em declarações perante os jornalistas, nesse primeiro de dois dias de visita a Lisboa, o presidente chinês referiu que a cooperação entre a China e Portugal no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” “tem as suas vantagens naturais” e o objectivo agora é “fortalecer de forma plena” as parcerias, “com benefícios recíprocos”. Um plano que, diz, passa por “fazer crescer e aperfeiçoar os projectos existentes”, bem como “ampliar as trocas comerciais e criar mais pontos de crescimento”. “Vamos reforçar a cooperação em mercados terceiros”, acrescentou Xi Jinping.

Marcelo Rebelo de Sousa salientou o actual momento das relações bilaterais como uma altura em que a cooperação “cultural, universitária, científica, tecnológica, cresce de dia para dia” e em que a “cooperação económica e financeira” “é forte” e se quer “sustentada e duradoura no futuro”. O presidente português destacou ainda a cooperação “na comunidade que fala português” e observou que, apesar de Pequim e Lisboa terem “instituições e aliados muito diferentes”, isso não impediu Portugal e a China de conviverem “harmoniosamente em Macau há cinco séculos” e de estreitarem “no passado, como no presente, frutuosos conhecimento e amizade”.

Por outro lado, referiu Marcelo Rebelo de Sousa, as diferenças que existem entre os dois países não os impede de trabalharem “em conjunto para a valorização do papel do direito internacional, das organizações internacionais, a começar nas Nações Unidas”, nem de defenderem “o multilateralismo, os direitos humanos, a resolução pacífica dos conflitos”, de apoiarem “o livre comércio e as pontes de entendimento entre Estados e povos” e de estarem, “em permanência, atentos ao ambiente e às alterações climáticas”.

Já o presidente chinês destacou aquilo que entende ser o melhor momento de sempre nas relações entre os dois países – uma altura em que, sublinha, “há cada vez mais pontos de convergência” e matérias onde se pode “aprofundar a cooperação”.

Nesta visita, Xi Jinping apontou o reforço da cooperação nas áreas da economia, comércio, cultura, educação, turismo, ciência e tecnologia, desporto e media como o caminho a seguir, “para promover a aprendizagem mútua e a amizade entre os povos”. Por outro lado, acrescentou, os dois países vão “aprofundar a cooperação na área marítima”.

O presidente chinês, que no final considerou a visita “um grande sucesso”, afirmou ainda que a China vai acelerar a construção do centro de cultura chinesa em Lisboa e desenvolver o trabalho do Instituto Confúcio em Portugal.

Sofia Jesus com Gilberto Lopes, em Lisboa