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Aterragem forçada provocou danos em motores de avião da BCA
Sexta, 28/09/2018
O avião da Beijing Capital Airlines (BCA) oriundo de Pequim com destino a Macau que teve de aterrar de emergência em Shenzhen, no final de Agosto, sofreu graves danos na aproximação à pista em Macau.

De acordo com um relatório preliminar divulgado hoje, o aparelho perdeu velocidade no momento da aterragem, tendo embatido com violência no chão, provocando danos que afectaram os motores.

A sequência dos acontecimentos da madrugada de 28 de Agosto é detalhada num relatório preliminar da Autoridade de Aviação Civil, em conjunto com a Administração da Aviação Civil da China.

Descrevendo um voo “normal até à aproximação final”, o relatório explica que, quando o aparelho descia de 50 para 30 pés acima do solo, a velocidade caiu de 248 para 225 quilómetros por hora, numa altura em que a taxa de descida era de 688 pés por minuto.

A queda da velocidade aerodinâmica ocorreu entre um a dois segundos e, quando tocou na pista, o avião estava a ser afectado por ventos traseiros de 52 quilómetros por hora.

Depois, viveram-se os momentos mais complicados.
Às 3:15:35, o Airbus A320 da BCA pousou no Aeroporto Internacional de Macau com o trem de aterragem principal e com a aceleração vertical máxima de 2.359 G, cerca de 300 metros após o limite da pista 34, tendo o aparelho “saltado no ar”.

Quatro segundos depois, com ainda maior aceleração vertical, o avião voltou a tocar na pista, agora com o trem de nariz, que sofreu estragos, tendo os detritos sido “engolidos pelos dois motores”, resultando em danos para ambos.

Depois desta segunda aterragem, o capitão iniciou procedimentos de aproximação falhada com baixa taxa de subida.

Às 3:16:21 segundos, a torre de controlo informou a tripulação de que eram visíveis chamas a saírem do motor esquerdo. Um pneu foi encontrado na pista três minutos e 39 segundos depois, tendo a tripulação sido igualmente informada desse facto.

O capitão declarou então “Mayday”, a palavra-código para emergência.

Depois da aterragem forçada, os sistemas de navegação não estavam operacionais, tendo sido activado o sistema de reserva.

Na avaliação da situação, a tripulação decidiu desviar o aparelho para Shenzhen, tendo requerido a aterragem de emergência no Aeroporto Internacional de Shenzhen Bao’an, o que aconteceu às 3:57.

O avião apresentava “danos substanciais”, já não havia sinais de fogo e foi activada a evacuação de emergência.
A bordo seguiam 166 pessoas, entre as quais 157 passageiros – cinco sofreram ferimentos ligeiros.

A Autoridade de Aviação Civil refere que a investigação ainda continua e ressalva que o “único objectivo” de uma investigação deste tipo é a “prevenção de acidentes e incidentes”, não havendo o propósito de “repartir culpa ou responsabilidade”.

A entidade reguladora, de acordo com o jornal Ponto Final noticiou esta semana, está ainda a investigar uma decisão tomada pela torre de controlo do Aeroporto Internacional de Macau, no dia 28 de Agosto, autorizando um voo da EVA Air a aterrar cinco minutos depois do incidente com o avião da Beijing da Capital Airlines, numa altura em que ainda havia detritos espalhados pela pista.

O jornal escreveu que o avião da EVA Air vinha de Taiwan com 180 pessoas a bordo e aterrou sem incidentes.

A pista, acrescentou o Ponto Final, só foi limpa depois de o avião da EVA Air ter aterrado.

Hugo Pinto