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Governo faz auto-avaliação positiva da resposta ao Mangkhut
Segunda, 17/09/2018
O Governo diz ter aprendido a lição com o tufão Hato e, numa auto-avaliação, considera que houve na resposta à passagem do Mangkhut “um notável melhoramento e aperfeiçoamento nos termos de alerta prévia, operações de emergência de protecção civil e coordenação entre serviços”.

A análise foi feita esta tarde pelo secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, numa conferência de imprensa que juntou representantes dos departamentos que integram a Protecção Civil, um dia depois de Macau ter enfrentado os ventos e as chuvas fortes do Mangkhut.

Em vários indicadores, o Mangkhut foi mais forte que o Hato, incluindo nos ventos sustentados, que foram de 173 km/h, contra os 165 km/h do Hato.

De 10 em 10 minutos, o vento do Mangkhut soprou com 183 km/h de intensidade, enquanto no caso do Hato estes ventos atingiram os 155 km/h. Desde 1968 que nenhum tufão obrigou ao içar do sinal 10, o máximo, durante tanto tempo como o Mangkhut: nove horas.

O Hato foi mais forte, contudo, nas rajadas, que atingiram os 217 km/h horários na Ponte da Amizade, ao passo que o Mangkhut chegou aos 188 km/h. Também nas cheias o Hato foi ligeiramente mais grave – a maré subiu aos 5,58 metros, enquanto agora com o Magkhut o nível alcançou os 5,5 metros, provocando inundações com a água a 1,9 metros acima do pavimento.

Mas a maior diferença foram o impacto e a destruição: no Hato houve 10 mortes e danos de cerca de 12 mil milhões de patacas, bem como vários dias sem energia nem água em muitas zonas da cidade.

Agora, contaram-se 40 feridos, ligeiros na maioria. Até esta tarde de segunda-feira, a CEM estimava que cerca de duas mil casas estivessem ainda sem electricidade e seis prédios não tinham água.

De acordo com as explicações da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e Água, três estavam em vias de ver o problema resolvido a breve trecho, enquanto a situação nos restantes era mais grave, segundo a directora Susana Wong. Devido à passagem da tempestade e às inundações, 21 prédios registaram problemas no fornecimento de água.

Já os trabalhos de limpeza nas vias públicas devem ficar concluídos esta terça-feira.

Por tudo isto, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, dá nota positiva ao Governo e também à população: “Todos os serviços do Governo e todos os residentes fizeram um balanço profundo e uma plena revisão após a passagem do tufã Hato do ano passado, e após um ano de melhoria dos regimes e preparação adequada, o Governo tem um notável melhoramento e aperfeiçoamento nos termos de alerta prévio, operações de emergência de protecção civil, coordenação entre serviços, medidas de contingência, consciência e capacidade de resposta em tempestades, eficiência da divulgação de informações”.

Perante os resultados, uma pergunta impunha-se a Wong Sio Chak: pode-se dizer que os danos do ano passado, incluindo as 10 mortes, podiam ter sido evitados se tivesse havido o que houve este ano, ou seja, uma maior prevenção?

Wong Sio Chak afirmou que “estes resultados em reposta ao tufão Mangkhut acho que já consegue responder à pergunta”.

Apesar da avaliação positiva, o secretário para a Segurança admite que há melhorias a fazer: “Primeiro, alguns residentes das zonas baixas recusaram a evacuação em situação de crise, e isso representa perigo para a sua própria vida e para o pessoal das forças de segurança.

Segundo, alguns indivíduos com intenção de destruir a ordem social, divulgando por maldade rumores, pelo que o trabalho de esclarecimento pode ser feito de uma forma ainda mais eficaz. Terceiro, alguns visitantes violaram as disposições da lei de Macau e as proibições policiais e foram para áreas perigosas trazendo mais dificuldades ao trabalho de socorro e emergência”, obrigando ao reforço da sensibilização.

Wong Sio Chak referia-se ao caso de cinco turistas que tentaram atravessar a ponte Nobre de Carvalho quando estava içado o sinal 10.

De acordo com as explicações dadas esta tarde, os cinco visitantes pretendiam regressar ao hotel onde estavam alojados, tendo sido alvo de multas.

Quanto às evacuações das zonas baixas - cerca de cinco mil pessoas foram retiradas -, Wong Sio Chak pondera que sejam tornadas obrigatórias, algo que será alvo de estudo, tal como a introdução de uma norma que obrigue ao encerramento dos casinos quando o sinal 8 está hasteado – o que aconteceu pela primeira vez este fim-de-semana.

O secretário para a Segurança adiantou ainda que as autoridades estão a investigar a origem de alguns rumores relativos a informações falsas sobre a tempestade tropical.

Na conferência de imprensa, o presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, José Tavares, avançou ainda que, por causa do corte de energia ou inundações, estragou-se um total de 2800 quilos de carne proveniente de 12 estabelecimentos.

Nas operações de limpeza, até ao meio-dia de hoje tinham sido recolhidas 455 toneladas de lixo.

Hugo Pinto