Em destaque

21 de Setembro 2018: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.5540 patacas e 1.1783 dólares norte-americanos.

Neto Valente: "Não é a altura" para dizer se me recandidato
Sexta, 14/09/2018
Em declarações à TDM- Rádio Macau, Jorge Neto Valente não revela se é recandidato à presidência da Associação dos Advogados (AAM), a qual tem liderado nas últimas décadas, nem se – no caso de não se recandidatar –, se vai apoiar Sérgio de Almeida Correia.

O presidente da AAM argumenta que é a primeira vez que aparece “uma candidatura com tanta antecedência” em relação ao prazo para formalizar as candidaturas (31 de Outubro) para as eleições que decorrem habitualmente na primeira quinzena de Dezembro.

“Não faço hipóteses nenhumas. Estou à espera de mais candidaturas. Como é que eu posso comprometer-me com quem quer que seja, sem saber quantas candidaturas vai haver? É compreensível. Eu não disse que não me candidato nem deixo de me recandidatar. Até ao dia 31 de Outubro eu direi se me vou candidatar, ou se apoio ou não. Não vou dizer agora. Não é a altura”. afirma.

Jorge Neto Valente diz que “não estava à espera, em concreto”, da candidatura de Sérgio de Almeida Correia à liderança da AAM, mas defende que é “saudável” haver várias candidaturas.

O presidente da AAM vê como “natural que haja movimentações de colegas interessados em assumir os cargos da direcção da associação”. Está convencido que vai haver “mais candidaturas e não necessariamente de advogados portugueses”.

“Ninguém pode ficar nem admirado, nem aborrecido por haver listas. É bom que as haja, é sinal de vitalidade. Acho que isso tudo é bom, é saudável”, afirma.
Na conferência de imprensa onde se apresentou como candidato, o advogado Sérgio de Almeida Correia defendeu que a AAM deve sair da “posição passiva em que tem estado de cada vez que a arbitrariedade sai à rua”.

Neto Valente contesta: “Penso que há aí alguma confusão entre o papel que a associação – na minha opinião e dos colegas com quem tenho trabalhado – deve ter e as considerações políticas que eu acho que não cabem na associação, porque a política dentro da associação só serve para dividir”.

“A associação não é nenhum partido, nem defende nenhumas ideias que não sejam os interesses e as posições da classe dos advogados, do sector da advocacia. É uma visão que é minha. Pelos vistos ele terá outra e é para isso que há candidaturas diferentes”, acrescenta.

Neto Valente adianta ainda que não vai entrar em “debates político-sociais” porque “não é assim” que vê a associação.

“O papel da associação em Macau não deve ser apontado para esse caminho, mas os colegas é que dizem o que acham. Se acharem que é esse o caminho votam nessa orientação. Mas eu acho que não é por acaso que a Associação dos Advogados tem tido bastante discrição. Mesmo durante o período de apresentação de candidaturas não tem havido muito ruído, porque o ruído não vai beneficiar ninguém. Isto é o que tem prevalecido”, argumenta.

Neto Valente defende que a Associação dos Advogados deve ser vista enquanto “integrada na Região Administrativa Especial de Macau”, onde as coisas são diferentes de Portugal”, e “há muito ruído”.

Salienta também que, “de uma maneira geral”, as suas intervenções “não são de afrontamento”.

“Não é esse o rumo que temos seguido. Achamos que não é adequado, no meio em que vivemos, o confronto permanente e as posições polémicas e polemizar todos os assuntos”, sublinha.

Nesse sentido aponta que o trabalho das direcções que tem liderado na AAM tem-se pautado por “dar opiniões e pareceres, nomeadamente ao Governo e à Assembleia Legislativa”.

“Dá trabalho. Não é um trabalho que se veja na praça pública, mas temos tomado as posições que achamos que são correctas. Comigo não contaram, nem nunca contarão, para andar a fazer barulho, nem a organizar protestos. Não estou nessa, acho que isso não é adequado”, salienta.

Neto Valente conclui a dizer que não é “insubstituível” e que “faz o melhor que pode”.

Fátima Valente