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Metro:GIT tem criado “ilusão de que nunca houve derrapagens"
Quinta, 13/09/2018
As falhas “sucessivas”, a não aplicação de multas pelos atrasos e a “desconsideração por boas práticas internacionais” levaram a que aquilo que está feito no âmbito do projecto do metro ligeiro esteja muito longe dos planos iniciais. Quem o diz é o Comissariado da Auditoria (CA), que hoje divulgou, em comunicado, algumas das conclusões do quarto relatório de auditoria sobre o sistema de metro ligeiro.

“Existe uma grande diferença entre o que inicialmente foi planeado e o que foi executado” – uma mudança que abrange “a definição dos traçados, a estimativa dos custos de construção, a gestão de obras e a data de conclusão”, refere o CA.

Em comunicado, o CA conclui que “as sucessivas falhas, atrasos, incumprimentos da lei, não aplicação de multas e desconsideração das boas práticas internacionais relativas à gestão e fiscalização das empreitadas de obras públicas de grande escala levaram aos atrasos sucessivos das obras de construção do sistema do metro ligeiro, fazendo com que tanto a estimativa do custo como o prazo de conclusão das obras se desviassem substancialmente em relação ao que estava inicialmente aprovado e previsto”.

O CA diz que, durante as quatro auditorias concomitantes que realizou, o Gabinete de infra-estruturas de Transportes (GIT) “nunca foi capaz de calcular o custo global do investimento em análise e que, à medida que a obra vai sendo executada, há tendência para alterar a estimativa dos custos”. Um exemplo: os custos “têm sido anunciados só depois de feita a adjudicação, criando a ilusão de que nunca houve derrapagens no orçamento”.

Por outro lado, o comissariado apurou também que, “desde o início das obras dos três segmentos da linha da Taipa, já foram concedidas várias prorrogações do prazo contratual, de tal maneira que estas correspondem a um aumento de entre 95 por cento e 111 por cento do prazo inicialmente estabelecido”. Os auditores encontraram “deficiências por parte do GIT na apreciação dos pedidos de prorrogação e na coordenação e gestão dos trabalhos”.

Algumas dessas falhas levam o CA a ter “sérias dúvidas quanto ao rigor com que os pedidos de prorrogação do prazo foram analisados”.

O comissariado apela ainda a que sejam esclarecidas todas as dúvidas e afastadas as preocupações da comunidade em relação ao projecto do metro ligeiro. Os problemas detectados na obra do metro, diz o comissariado, devem também servir de exemplo para outros projectos de obras públicas.

Sofia Jesus