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Metro: Auditoria questiona opção de adiar linha de Macau
Quinta, 13/09/2018
As alterações nas fases de construção do metro e a viabilidade de alguns traçados do sistema “suscitam dúvidas” ao Comissariado de Auditoria (CA), de acordo com um relatório divulgado hoje. O organismo questiona os motivos que levaram o Gabinete de Infra-estruturas e Transportes (GIT) a passar a construção da linha da península de Macau, inicialmente prevista para a primeira fase do projecto, para os planos a “médio prazo”.

Ao defender que “o público tem tido pouco conhecimento das mudanças ocorridas no projecto”, desde que foi apresentado, em 2007, o CA diz que o segmento de Macau perdeu prioridade para a linha Leste, que vai fazer a ligação entre a Zona A dos Novos Aterros e a Taipa, havendo uma proposta de construção de um túnel subaquático. As obras a “curto prazo” – que incluem ainda a ligação a Zhuhai e a linha de Seac Pai Van – vão estar concluídas, “na melhor das hipóteses”, em 2026.

“Tendo em conta que a linha com maior fluxo de passageiros previstos é a linha de Macau e que o objectivo da construção do metro ligeiro é melhorar a circulação do tráfego, questiona-se a razão pela qual o GIT adiou significativamente a construção desta linha, que supostamente geraria uma maior sinergia entre os meios de transporte”, pode ler-se no relatório.

A previsão, feita em 2016 por uma consultora, é que, caso apenas a linha da Taipa entre em funcionamento, o fluxo de passageiros compreenda apenas 20 por cento do previsto no plano inicial da primeira fase do metro.

O CA questiona também a construção da Estação da Barra já que o fluxo de passageiros previstos para a zona “poderá estar sobrestimado e a sua rentabilidade económica poderá ser muito limitada”.

A Auditoria também coloca em causa a viabilidade da linha do Porto Interior por causa das obras previstas para prevenir as cheias.

Até Dezembro, o preço total das adjudicações relacionadas com o metro foi de 13,2 mil milhões de patacas. Houve ainda três contratos “importantes” que foram revistos ou cancelados, o que resultou em despesas adicionais de cerca de 1,7 mil milhões de patacas.

Os gastos com a construção do parque de materiais e oficinas, o sistema de operação do metro e as carruagens atingem 5,6 mil milhões de patacas.

Está ainda previsto um investimento de 5,2 mil milhões de patacas nas 11 estações do metro, o que “dá uma média de 500 milhões por estação”. Já os custos de operação, devem ser superiores a 900 milhões de patacas por ano.

O Comissariado de Auditoria questiona a viabilidade económica do projecto: “Com o dispêndio anual de 900 milhões de patacas, qual é o nível de descongestionamento do tráfego que poderá ser atingido? Será o sistema de metro ligeiro economicamente eficiente?”.

Esta foi a quarta auditoria feita ao projecto.

Sónia Nunes