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Scott Chiang diz que caso do Hotel Estoril “é simples”
Terça, 11/09/2018
Os activistas Scott Chiang e Alin Lam foram hoje julgados por terem entrado, em 2016, no Hotel Estoril, onde colocaram uma faixa contra o projecto de demolição. Os arguidos, acusados dos crimes de dano e introdução em lugar vedado ao público, alegam que o edifício estava ao abandono, havendo outros casos de entrada não autorizada no espaço, sem qualquer consequência criminal.

O julgamento demorou cerca de uma hora e decorreu sem tradução para português. A juíza titular do processo, Leong Fong Meng, entendeu ser desnecessário uma vez que as partes do processo falam chinês.

À saída da sessão, Scott Chiang negou ter provocado qualquer estrago ou forçado a entrada no Hotel Estoril. “O buraco na vedação está lá desde sempre”, disse, ao defender que o “caso é simples”. “Todos sabemos que há pessoas a entrar e sair do edifício, há muito tempo. Não sabíamos que tínhamos de pedir para entrar. Não entrámos para vandalizar, destruir ou invadir a privacidade de alguém. Se soubéssemos que era preciso, tínhamos pedido autorização”, defendeu.

Para as autoridades, ninguém pode entrar no Hotel Estoril sem a autorização da Direcção dos Serviços de Finanças, responsáveis pelo edifício. A tese foi reiterada durante o julgamento pelas três testemunhas da acusação: dois polícias e um funcionário da DSF.

Foi também esta a posição assumida já 2016 pela PSP, quando informou que não ia abrir uma investigação contra um grupo de Hong Kong, que também entrou no hotel sem autorização, para filmar. O caso surgiu praticamente na mesma altura em que Scott Chiang e Alin Lam foram detidos.

Os activistas protestavam contra a demolição do Hotel Estoril e colocaram uma faixa no edifício dirigida ao secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, com a mensagem "Alexis Tam é um assassino do património".

Scott Chiang garante, no entanto, que “a faixa não faz parte da acusação”. “Não encontraram qualquer norma que tenha sido infringida por ter sido pendurada uma faixa. Ainda assim, responsabilizam-me por isso”, disse.

Há ainda divergências entre a polícia e os activistas sobre a detenção. As autoridades alegam que os arguidos foram detidos em flagrante delito, no interior do edifício. Scott Chiang desmente: “Os polícias disseram que, quando viram, do Tap Seac, que a faixa tinha sido pendurada, demoram entre 1 minuto e meio a dois minutos a chegar às traseiras do hotel. Eu já estava na entrada, a sair. Como posso ter sido eu?”, lança.

Do lado da defesa, foram ouvidas duas testemunhas.

O Tribunal Judicial de Base agendou a leitura de sentença para 4 de Outubro.

Sónia Nunes