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Anima: IACM está a atrasar processos de adopção dos galgos
Segunda, 10/09/2018
Albano Martins diz que é impossível acelerar os processos de adopção dos galgos se o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) não deixar sair os animais do canídromo para serem tratados e esterilizados em clínicas.

Albano Martins manifestou esta preocupação numa carta que enviou hoje ao IACM: “A carta diz que é nossa convicção que o IACM não quer que eles saiam. Ao não quererem que os galgos saiam [para tratamento], isso desacelera todo o processo de adopção”, afirmou, em declarações à TDM- Rádio Macau.

Albano Martins diz que já havia a promessa de que os galgos podiam ser esterilizados em clínicas privadas, mas que até agora não foi dada uma autorização oficial.

Em resposta à TDM Canal Macau, o IACM afirmou que não recebeu nenhum pedido da Yat Yuen para o envio ao canídromo de veterinários do Governo para fazerem as esterilizações.

O defensor dos direitos dos animais alega que “os galgos precisam de sair do canídromo para várias clínicas” de forma a receberem tratamento e, posteriormente, serem esterilizados – as condições necessárias para estarem aptos à adopção.

Albano Martins argumenta que não há veterinários interessados em ir trabalhar no canídromo e que “ter uma clínica” a tratar os animais no local também não é a solução. Diz que só “uma super-clínica” conseguiria tratar de “mais de 200 animais que têm problemas complicados, e depois fazer a esterilização”.

Os galgos têm de sair do canídromo até dia 29 deste mês. Albano Martins diz que não há tempo para uma só clínica fazer o trabalho: "É praticamente impossível. Não há clínica nenhuma em Macau que seja capaz de fazer isso”.

“Temos que jogar com todas as clínicas capazes de fazer esse trabalho. Uns animais vão para uma, outros vão para outras clínicas, e isso vai ter de ser coordenado pela Anima, ou pelo IACM, ou quem quer que seja. O IACM, por muito esforço que esteja a fazer – e está – não tem capacidade para isso”, acrescentou.

Há mais de mais de 500 galgos à espera de adopção. Até à data foram esterilizados 12 galgos. Todos por veterinários do IACM.

Em resposta à TDM Canal Macau, o IACM disse que não recebeu nenhum pedido da Yat Yuen para o envio de veterinários do governo ao canídromo para fazer as esterilizações.

As declarações de Albano Martins são também uma reacção ao deputado Sulu Sou, que disse hoje que o Governo devia instar a Yat Yuen e a Anima a acelerarem os processos de adopção dos galgos.

Em resposta, o presidente da Anima indicou que os processos de adopção estão fechados e que a associação já tem confirmados os sítios para onde vão todos animais. Albano Martins defende que o processo “já não é muito complicado”, uma vez que a Yat Yuen já assumiu que paga o transporte dos animais que vão ser realojados fora de Macau.

“O processo anterior era complicado porque tínhamos de fazer uma campanha internacional de fundos, mas agora, a Yat Yuen paga as transferências desses animais. Porque é que nós não aceleramos os processos? É simples, não conseguimos tratar deles, não conseguimos esterilizá-los. Não temos veterinários, não há veterinários que queiram para lá ir. Então o IACM que explique”, sublinhou.

Apesar de considerar viável o terreno da Cordoaria, em Coloane, Albano Martins continua a defender que os galgos deviam ficar no canídromo “pelo menos um ano”.

“Não há razão nenhuma para essa birra do Governo de querer tirar os animais de lá: eles nunca vão reordenar aquele espaço em menos de um ano. Eu até diria que em menos de ano e meio aquele espaço não vai ser reordenado. Os galgos vão para um sítio onde as pessoas têm receios, onde as pessoas não estão habituadas a estar com os animais. Isto, quando naquele sítio [canídromo] ninguém se preocupa e não estorvam ninguém”, afirmou.

O presidente da Anima receia que se houver queixas dos moradores contra o barulho ou mau cheiro os galgos tenham de voltar para o canídromo. “Ainda me vou rir no fim disto tudo. O IACM vai ter de aceitar de novo os animais no canídromo. O IACM ou o Governo”, concluiu.

Fátima Valente