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Biblioteca Ricci, uma colecção perdida no Hato
Quinta, 23/08/2018
O reitor da Universidade de São José, Peter Stilwell, recordou à TDM- Rádio Macau a força do Hato no novo campus da Ilha Verde, que destruiu por completo a biblioteca do Instituto Ricci.

"O Instituto Ricci tinha acabado de sair das instalações perto do Tap Seac. O Governo quis reaver o espaço. Foi combinado que eles deviam sair e grande parte da sua biblioteca e empacatoram os livros e trouxeram-nos para aqui. Nós já estávamos a desempacotar os livros necessários para as aulas. Os livros deles eram importantes para os investigadores, mas não eram urgentes para as aulas e para os alunos. Portanto, estavam, por assim dizer, para uma segunda fase", lembra Peter Stilwell.

Veio o tufão e a cave encheu-se de água. Foi destruída toda a biblioteca construída ao longo dos últimos 30 anos. Cerca de 25 mil livros. Eram livros de teologia e da história da Igreja, mas também outros de carácter geral, sobre os Jesuítas, sobre a Igreja e também sobre a história de Macau e sobre a relação de Macau com a China continental ao longo dos séculos.

Os livros ficaram vários dias submersos na água salgada que galgou do Delta do Rio das Pérolas, juntamente com peixes e lixo trazidos pela enxurrada. “Foram quatro dias a bombear água”, sublinha Peter Stilwell.

A perda dos 25 mil livros do Instituto Ricci e de outros três mil da USJ resultou em prejuízos na ordem dos 15 milhões de patacas, estimou, no ano passado, o reitor.

A colecção pode ser refeita recorrendo às editoras e alfarrabistas, observa Peter Stilwell, que diz que essa é a intenção do Instituto Ricci.

A ideia é também que o Instituto Ricci tenha a sua sede no campus da USJ.

“Oferecemos-lhe duas salas como sede dentro do edifício da biblioteca. Pensamos que será uma grande vantagem para eles, na medida em que, não só terão acesso aos seus próprios livros, e à biblioteca que conseguirem reconstruir, como terão acesso a toda a base de dados informática e a todas as revistas que temos acesso enquanto universidade”, afirmou.

“Será uma situação ‘win-win’. Depois de termos perdido, é uma forma de compensar um pouco a perda desse património”, explicou.

Fátima Valente