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Deputados atacam Sulu Sou por “gritar” na "sagrada" AL
Terça, 07/08/2018
Sulu Sou esteve esta tarde sob fogo na Assembleia Legislativa. No período antes da ordem do dia, nove deputados criticaram o democrata por, no plenário da semana passada, ter defendido que havia mais democracia em Macau no tempo da Administração portuguesa. A tentativa de adiar a votação sobre a nova lei das manifestações foi também censurada, com Sulu Sou a ser apresentado como um “radical” que desrespeitou a cultura parlamentar de Macau.

As críticas partiram dos sete deputados nomeados, Kou Hoi Hin, número três na hierarquia do hemiciclo, e o colega de bancada, Ip Sio Kai. O bloco agiu como se fosse a primeira vez que um deputado tivesse levantado a voz e saído da sala em protesto contra uma proposta de lei.

“Gritar, ser mal-humorado e atirar coisas, e abandonar a sala são comportamentos que não respeitam o regimento. Como deputado, deve servir de modelo e cumprir a lei, e não introduzir na AL, a bel-prazer, modelos de brigas de rua”, disse Ma Chi Seng, o primeiro a apontar o dedo a Sulu Sou. Lau Chi Ngai reforçou a crítica: acusou o democrata de “recorrer a formas radicais” de expressão política e de estar a tentar trazer para Macau a “má cultura parlamentar” de Hong Kong, “gritando muito no hemiciclo solene”.

Na origem das intervenções está o pedido feito por Sulu Sou para adiar a votação da lei sobre o direito de manifestação e reunião. Kou Hoi In alegou que, até hoje, o democrata não conseguiu justificar a posição: “Quais são os assuntos de grande relevância que estão em causa? Nem o próprio interessado conseguiu esclarecer, portanto, é mesmo uma palhaçada e um abuso das regras”. “Na sagrada casa parlamentar, lamentavelmente parece que um deputado é demasiado brincalhão. Só para se mostrar, abusando dos seus poderes, usou este hemiciclo como um teatro ou até obrigou toda a Assembleia a colaborar no seu ridículo espectáculo”, acrescentou.

Kou defendeu ainda que Sulu Sou mostrou-se incapaz de aceitar a opinião da maioria por estar em desacordo e classificou a postura como antidemocrática: “Não pode falar de democracia quem é arrogante, intransigente, presunçoso, abusa do seu poder, não respeita as regras e não reúne qualidades para ser democrata. Chamar a si a pertença a um partido democrático é o maior insulto para a democracia”, frisou.

Já Wu Chut Kit, Chan Wa Keong, Iau Teng Pio e Davis Fong procuraram desmentir as afirmações de Sulu Sou quando, também no plenário da semana passada, afirmou que, depois de 1999, Macau assistiu a um retrocesso democrático. Os deputados afirmaram que, antes da revolução de 1974, “só as pessoas de nacionalidade portuguesa e que sabiam ler e escrever é que podiam ser eleitas para membros da Assembleia Legislativa e do Conselho Consultivo”.

Os nomeados lembraram também que o actual sistema de eleição da Assembleia Legislativa segue o modelo desenhado no Estatuto Orgânico e as reformas promovidas pelo governador Garcia Leandro. Mas para Iao Teng Pio há diferenças a apontar: “Após o retorno de Macau, a democracia passa pela defesa dos interesses dos portugueses, menos de dois por cento da população, e dos interesses dos chineses, quase 90 por cento da população, o que não é um simples “slogan”, mas sim algo que se concretiza todos os dias”, defendeu, ao lembrar as falhas da administração portuguesa ao nivel da “oficialização da língua chinesa e localização dos quadros”.

Sónia Nunes