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Dezenas de lesados em negócio de criptomoeda
Domingo, 05/08/2018
As autoridades de Macau e Hong Kong estão a investigar um alegado caso de fraude ligado a uma criptomoeda que terá lesado cerca de 70 pessoas aqui no território, entre as quais a conselheira das comunidades portuguesas, Rita Santos, e o filho.

À TDM – Canal Macau, a Polícia Judiciária (PJ) disse estar a investigar o caso que envolve um empresário de Hong Kong, Dennis Lau, que angariou em Macau investidores para um projecto de exploração de uma criptomoeda, alegadamente com promessas de rendimentos que chegavam a 25 por cento ao mês.

Pelos menos dois dos cerca de 70 lesados em Macau já apresentaram queixa à PJ, após terem investido 1,7 milhões de dólares de Hong Kong sem o retorno prometido.

O investimento foi feito em Abril, mas deixaram de receber dividendos desde Junho. O suspeito terá dito às vítimas que a empresa estava com problemas financeiros.

De acordo com o Canal Macau, Rita Santos e o filho, o empresário Frederico dos Santos Rosário, dizem-se lesados, mas um dos investidores considera que também têm responsabilidades.

O homem, que pediu para não ser identificado, afirmou ao Canal Macau que decidiu investir por recomendação da comendadora e do filho, de quem diz ser amigo. Frederico dos Santos Rosário terá mesmo afirmado que era dono da empresa.

Ao Canal Macau, o investidor revelou que “ele [Frederido dos Santos Rosário] convidou-me para a apresentação [do projecto] na Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). O Fred estava lá e a mãe dele, que é a Rita Santos. Na segunda parte da apresentação começaram a falar do serviço de ‘mining’ de criptomoeda. Começou a falar em investimentos. Após a apresentação, Rita Santos disse: ‘isto é um investimento muito bom, deviam aproveitar’. Na verdade, até já tinham contratos preparados. Depois, perguntei ao Fred: ‘esta empresa é tua?’ Ele disse: ‘sim, esta é a minha empresa, é um investimento muito seguro para ti’. Por isso confiei nele e assinei o contrato”.

Por recomendação dos advogados, Frederico dos Santos Rosário não quis fazer comentários ao Canal Macau, mas num comunicado publicado nas redes sociais acusa o empresário de Hong Kong, Dennis Lau, de ser o culpado: de ter sido ele a vir a Macau no início do ano para angariar investidores, bem como de ter sido este empresário que, desde Junho, falhou com os pagamentos a que estaria obrigado.

Lau terá dito a Rosário que os pagamentos não estavam a ser feitos porque as contas foram congeladas por ordem das autoridades, mas não forneceu mais pormenores.

O filho de Rita Santos adianta, ainda, que os 70 investidores de Macau transferiram mais de 20 milhões para Hong Kong e apenas conseguiram recuperar cerca de seis milhões. De acordo com este comunicado, 14 pessoas apresentaram queixa no território vizinho.

O investidor que falou com a TDM afirmou estar ao corrente da situação, mas considera, mesmo assim, que Rosário é responsável pelas pessoas que convenceu em Macau: “Acho que isto tudo que está a acontecer aqui em Macau é uma fraude total. Porque pagámos o dinheiro e prometeram-nos um certo retorno, mas no final nada aconteceu. Não sei se ele [Frederico dos Santos Rosário] é uma vítima ou não, mas sei o que ele fez em Macau. Pediu-nos para investir e disse que era o dono da empresa, por isso deve ser responsável por tudo”.

Este investidor ainda não foi à polícia, mas disse que vai fazê-lo nos próximos dias, juntamente com um grupo de amigos.

Afirmou, ainda, que quer uma reacção de José Pereira Coutinho, deputado que preside à ATFPM, uma vez que a promoção do negócio foi feita na sede da associação.

Ao Canal Macau, Coutinho, que não participou nas sessões sobre criptomoeda, disse conhecer vagamente o caso e contrapôs que há várias associações a promover actividades na sede da ATFPM.

Já em comunicados enviados à TDM, Rita Santos e o filho dizem ter apresentado queixa à polícia de Hong Kong e que também ponderam uma acção judicial contra Dennis Lau.

Rita Santos explicou ao Canal Macau que apresentou queixa na qualidade de investidora e que se constituiu assistente no processo para poder acompanhar o caso.

Por outro lado, o empresário de Hong Kong defende-se alegando ter sido ele o enganado.

De acordo com o jornal do território vizinho Apple Daily, Lau acusa o filho de Rita Santos de ter alterado o contrato fornecido aos investidores e de ter passado o retorno de 25 por cento ao ano para 25 por cento ao mês.

Hugo Pinto com Inês Santinhos Gonçalves (Canal Macau)