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Autismo: associação vai apoiar crianças, pais e educadores
Quarta, 28/03/2012

Informar, consciencializar e dar esperança. São os grandes objectivos da recém-criada Associação de Autismo de Macau (AAM). O grupo conta, para já, com duas dezenas de associados, sobretudo pais e diferentes profissionais das áreas da educação e da saúde, dispostos a trabalhar em conjunto para ajudar crianças e famílias.

 

Fátima Santos Ferreira, presidente da mesa da assembleia-geral, reconhece que, em Macau, também nesta área faltam técnicos especializados, mas destaca a importância do trabalho que é feito em casa e na escola. “Há uma falta de recursos humanos em Macau, mas não é só nesta área, é em todas as áreas, em termos de apoio a este tipo de deficiências. Também existe um grande desconhecimento a este respeito. É nosso objectivo intervir junto das famílias porque, aí, é fulcral, já que as crianças estão inseridas num ambiente familiar que tem de ser acolhedor. Posteriormente, a ideia é intervir também na instituição onde a criança está inserida - na creche ou no estabelecimento pré-escolar”, explica a dirigente, em declarações aos jornalistas. 

 

Além de apoiar as crianças e ensinar os pais a intervirem da melhor forma, a associação espera contribuir também para a sensibilização dos educadores, de modo a que os alunos autistas possam progredir no ensino regular.

 

O diagnóstico precoce é fundamental para o processo de reabilitação da criança, pelo que Carla Luz Silva, terapeuta da fala e também dirigente da associação, lembra que há sinais a que “os pais devem estar atentos, desde muito cedo, quando [os filhos] são bebés”. É o caso das situações em que as crianças “não fazem contacto ocular, não têm a gargalhada que as crianças costumam dar, costumam desviar a sua face no sentido inverso ao que é normal para a comunicação, têm desde cedo rejeições a nível alimentar, ou grandes dificuldades emocionais, ou não conseguem resolver uma frustração com a facilidade normal”.

 

Nicole Chan é a presidente da direcção da AAM. O filho, hoje com quase quatro anos, é autista e frequenta uma escola de ensino especial. “Podemos imaginar a situação actual de Macau como um triângulo invertido, em que os casos estão a aumentar cada vez mais, porque a detecção não está a ser feita de forma precoce. Mas, se voltarmos a colocar o triângulo na posição normal, com a base mais larga apoiada, ou seja, se forem detectados desde cedo os casos, com intervenção precoce, esses casos vão diminuindo [...], vão sendo resolvidos mais precocemente e essas crianças mais rapidamente ficam adaptadas à sociedade, ao ensino e deixam de ser um problema”, comenta.

 

Carla Luz Silva sublinha que o autismo não é uma doença que é preciso curar, mas antes um conjunto de sintomas que podem ser ultrapassados com o devido acompanhamento. “Não vamos utilizar o termo cura porque não se trata de uma doença. Trata-se de um conjunto de sinais e sintomas, e eu acredito que, com a intervenção adequada, é possível fazer com que essas crianças ultrapassem na totalidade - ou quase na totalidade - as suas dificuldades”, diz.

 

Cada caso é um caso e a associação espera contar com o apoio de um variado leque de especialistas, como um dentista ou um nutricionista.

 

Em vésperas do Dia Mundial da Consciencialização sobre o Autismo, que se assinala a 2 de Abril, a associação organiza amanhã um seminário, no auditório do Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau. De Hong Kong vem Gloria Tsang, psicóloga educacional e terapeuta musical, e de Singapura Eric Chen, um homem que soube ultrapassar o autismo.

 

Números de autistas, em Macau, por enquanto, não há, embora uma universidade esteja já a investigar esta temática. No mundo, estima-se que haja 67 milhões de pessoas com autismo.