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Viva Macau: Sou e Coutinho responsabilizam anterior Governo
Segunda, 30/07/2018
O caso da Viva Macau dominou hoje as intervenções na Assembleia Legislativa, no período antes da ordem do dia: vários deputados questionaram os motivos que levaram o anterior Governo a aprovar um empréstimo superior 200 milhões de patacas à companhia aérea, entretanto falida, sem a mínima garantia de reembolso.

Sulu Sou, da Associação Novo Macau, foi um dos deputados mais críticos e responsabilizou o ex-Chefe do Executivo. “O caso da Viva Macau é um caos deixado pelo Governo de Edmund Ho. (...) A entidade tutelar do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização (FDIC) é o Chefe do Executivo, e este tem o poder de autorizar os planos de gestão financeira do Fundo. (...). O FDIC só pode autorizar quantias inferiores a 500 mil, e isto significa que o empréstimo concedido à Viva Macau teve de ser autorizado pelo então Chefe do Executivo”, defendeu.

O democrata defendeu ainda, provavelmente, apenas Edmund Ho conseguirá explicar como é que a Viva Macau conseguiu o empréstimo, sendo públicas as dificuldades financeiras da empresa e tendo sido apresentado como fiador uma companhia de Hong Kong, controlada por sociedades ‘offshore’.

“Tudo isto demonstra que estes empréstimos foram ‘feitos sob medida’”, alegou Sulu Sou, ao afirmar que “é inevitável a relação de parentesco entre o então Chefe do Executivo e o administrador executivo da empresa seja questionada”. Kevin Ho, sobrinho de Edmund Ho, foi administrador executivo da Viva Macau.

Sulu Sou pediu ainda que todos os documentos e relatórios relacionados com o empréstimo sejam tornados públicos.
O caso da Viva Macau está agora a ser investigado pelo Comissariado contra a Corrupção, por iniciativa do Governo, depois de ter discutido os termos do empréstimo com a Comissão de Acompanhamento dos Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa.

Pereira Coutinho, que se mostrou contra o crédito desde a altura em que foi tornado público, criticou o facto de só agora estar a decorrer uma investigação. “O Governo optou por encobrir o escândalo (...). Os principais responsáveis já se aposentaram ou não se encontram em funções. E este truque de protelar o apuramento de responsabilidades tem sido muitas vezes utilizado”, apontou, referindo-se a casos como o do ex-presidente do Instituto Cultural ou do antigo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long.

“Será razoável que um escândalo de tamanha dimensão tenha demorado mais de dez anos para virem agora dizer que não há mais nada a fazer na recuperação dos 212 milhões?”, lançou.

Já Ho Ion Sang, dos Moradores, defendeu que a decisão de entregar o caso ao CCAC “é do agrado de toda a população e contribui para dissipar as imensas dúvidas”.

Sónia Nunes