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Caso Jason Chao: Académico da UM nunca respondeu por assédio
Terça, 24/07/2018
O ex-director do Departamento de Governação e Administração Pública da Universidade de Macau, Wang Jianwei, disse hoje que nunca foi confrontado pela instituição de ensino com acusações de assédio sexual. Ouvido em tribunal no caso em que acusa o activista Jason Chao de difamação, o académico alegou desconhecer as queixas de alunas que estão na origem de notícias avançadas em 2015 pela Macau Concealers, uma publicação ligada à Associação Novo Macau.

“A Universidade de Macau não me informou sobre o teor das queixas. Não foi aberto nenhum processo disciplinar. Nunca fui informado disso”, declarou Wang Jianwei.

Jason Chao, director da publicação, está a ser processado pelo académico por a Macau Concealers ter revelado que um director de um departamento da UM, solteiro e natural da China era alvo de três queixas de assédio sexual. A identidade do suspeito nunca foi totalmente revelada – só na terceira notícia sobre o caso, e citando outro jornal, é que a Macau Concealers identificou o professor pelo apelido Wang. Foi também publicada uma fotografia.

O académico entende que é facilmente identificado nas notícias pela comunidade universitária e alega danos por difamação: exige um pedido de desculpas público e uma indemnização de 50 mil patacas. “Não é uma questão de dinheiro. Isso não é o mais relevante. Quero recuperar o meu bom nome”,disse, ao garantir que as noticias avançadas pela Macau Concealers não têm fundamento.

Já a defesa de Jason Chao juntou ao processo um comunicado, divulgado, na altura, em vários jornais, em que Wang Jianwei confirma ser alvo de queixas por assédio sexual e diz ter tido conhecimento de um dos casos através da universidade.

Nas alegações finais, a advogada de Jason Chao pediu ao tribunal para apurar se o académico falou a verdade em audiência.

Ao pedir a absolvição do activista, a defesa alegou ainda que a Macau Concealers fez “todos os esforços” para confirmar o caso junto da Universidade de Macau, que não desmentiu os factos alegados.

Esta manhã, foi também ouvida a presidente da Novo Macau, Kam Sut Leng, que em 2015 fazia parte de um grupo criado pela associação para acompanhar casos de assédio sexual na Universidade de Macau.

Para justificar o interesse da Macau Concealers nas alegadas queixas contra Wang Jianwei, Kam Sut Leng disse que o assédio sexual era um tema na ordem do dia: um professor tinha já sido suspenso durante 12 dias pela UM e eram vários os deputados a pedir ao Governo para rever a legislação – o que acabou por ser feito.

Sónia Nunes