Em destaque

25 de Abril de 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9,0449 patacas e 1,1156 dólares norte-americanos.

 

Reforma política: Jovens estão divididos
Terça, 27/03/2012

Não há um consenso entre a população mais jovem em relação ao rumo político que Macau deve ter. Esta é a principal conclusão a retirar da sessão da noite passada no Centro Cultural de Macau, destinada a ouvir a população sobre a reforma política do território.

 

Os jovens foram os mais participativos e todos dizem querer o melhor para Macau, mas optam por caminhos diferentes: para alguns, a solução a adoptar é o sufrágio universal; para outros, os mais aplaudidos da sala, as ideias que vêm de fora não servem.

 

Os Estados Unidos foram o exemplo escolhido, com o primeiro orador da noite a comparar as taxas de desemprego entre EUA e RAEM para concluir que a vida em Macau é melhor. Foi coadjuvado por uma estudante universitária que considera que os defensores do sufrágio directo e universal não sabem do que falam. “Acham que é um país mais democrático. Mas há quem não saiba que o presidente dos Estados Unidos também não é eleito por sufrágio universal, mas sim através de um sistema de uma comissão por eleição”, atirou.

 

Esta defensora da fórmula “2+2” não tardou a ser corrigida. A oradora que se seguiu até prefere olhar para Taiwan, mas tem uma visão diferente do sistema norte-americano: “Também nos Estados as pessoas conseguem votar – uma pessoa, um voto. Se Macau tivesse eleições primárias também podíamos votar”.

 

O sistema eleitoral dos EUA deu tanto que falar que, quando chegou a vez do activista Lee Kin-yun usar da palavra, o ex-candidato a deputado não resistiu e deixou uma provocação. “Quando querem, fazem comparações com os Estados Unidos da América, mas por que não comparam com a Coreia do Norte? Ou por que não comparam com outros países onde ainda há monarquia, onde ainda há ditadura?”, lançou.

 

Lee Kin-yun foi dos poucos intervenientes da noite a receber apupos. O mesmo cumprimento mereceu Jason Chao, que mostrou estar contra os defensores de mais jovens no grupo de deputados eleitos por via indirecta e no colégio eleitoral para o Chefe do Executivo. O presidente da Associação Novo Macau é contra o sistema e quis ironizar: “Por que é que não podemos ter um sector para as domésticas? E depois as mulheres? Há umas que já são casadas, outras solteiras ainda. Se calhar temos de as dividir e [criar] um subsector de virgens”.

 

A ironia de Jason Chao não foi bem acolhida por aqueles que reconhecem utilidade aos deputados eleitos pelo sufrágio indirecto e que acham que é preciso ir com calma nos avanços políticos, ou seja, criar mais quatro assentos na Assembleia Legislativa (dois pela via directa e dois pela via indirecta) e aumentar para 400 o número de membros do colégio eleitoral do Chefe do Executivo.

 

O Governo continua a ouvir a população amanhã, com a auscultação das opiniões dos representantes das associações industrial, comercial e financeira. Também amanhã são ouvidos os órgãos consultivos nas áreas da economia e finanças.