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Homem suspeito de praticar actos médicos sem licença
Quinta, 19/07/2018
Um homem de 44 anos, do interior da China, morreu há um mês, depois de ter sido visto por um indivíduo que operava sem licença de médico num apartamento na Areia Preta. De acordo com a autópsia, a morte não foi causada pelo tratamento dado pelo homem que não era profissional de saúde registado.

O caso foi revelado esta noite em conferência de imprensa dos Serviços de Saúde. As informações foram mais tarde complementadas pela Polícia Judiciária (PJ).

Segundo comunicado dos Serviços de Saúde, a vítima foi acompanhada “por um familiar a uma consulta médica numa fracção autónoma, e no dia seguinte, devido a uma indisposição física foi encaminhada para o hospital para tratamento onde, apesar dos esforços clínicos e manobras de reanimação, foi declarada a morte”.

A PJ informou que o homem morreu no hospital público a 17 de Junho, dois dias depois de ter sido consultado na clínica ilegal.

O alegado falso médico, “de 71 anos, e apelido Chan, é residente de Macau”. É suspeito de usurpação de funções. Um crime punido com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias. Foi ouvido pela Polícia Judiciária na quinta-feira, está em liberdade, e esta sexta-feira deverá ser presente ao Ministério Público, informou a PJ.

Na conferência de imprensa, os Serviços de Saúde foram questionados sobre o porquê do caso só ter sido revelado um mês depois do óbito.

Em resposta, Leong Pui San, responsável da Unidade Técnica de Licenciamento das Actividades e Profissões Privadas de Prestação de Cuidados de Saúde (UTLAP), alegou que os Serviços de Saúde foram notificados pela Polícia Judiciária esta quinta-feira e que no próprio dia fizeram uma inspecção sanitária ao local. Foram acompanhados pela PJ, que realizou buscas.

Em resposta à TDM- Rádio Macau, a PJ disse ter-se deslocado várias vezes à “clínica ilegal”, mas sem conseguir entrar em contacto com o “falso médico”.

“Só hoje o encontrámos e descobrimos que ele não tem licença para operar”, acrescentou a PJ.

Não é claro se a clínica ilegal continuou a operar nos últimos 30 dias, desde o óbito do paciente.

O falso médico operava numa unidade residencial no edifício Kin Wa, na Areia Preta. Aí foram encontrados “medicamentos injectáveis e seringas com sinais evidentes de terem sido usados naquela habitação”.

“As provas recolhidas no local demonstram a realização de actividades médicas naquele local, logo há razões para acreditar que foram ali praticados actos médicos ilegais”, refere o comunicado dos Serviços de Saúde.

Foram também encontrados equipamentos médicos como “estetoscópios, torniquetes, esfigmómetros, seringas, lâminas cirúrgicas e grandes quantidades de agulhas para uso em seringas, soro fisiológico e medicamentos entre os quais estavam mais de uma centena de antibióticos, antialérgicos e analgésicos”. Além disso, "alguns medicamentos já tinham excedido o prazo de validade”.

“A Autoridade Sanitária imediatamente apreendeu todos os objectos e ordenou ao indivíduo a suspensão imediata da prática de qualquer actividade”, referem os Serviços de Saúde.

O homem terá confessado que “praticava actividades médicas no interior da China e que começou a prestar cuidados de saúde em casa, sendo todos os utentes amigos provenientes da China”, refere também o comunicado.

“Informações adicionais da Polícia Judiciária indicam que este indivíduo já praticava actividades médicas sem licença desde 2014. Na morada identificada não está registado nenhum estabelecimento destinado à prestação de serviços de cuidados de saúde”, acrescenta.

Fátima Valente