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JLL aconselha Governo a aumentar a oferta de habitação
Quarta, 18/07/2018
O Governo precisa de convencer os que têm mais casas a venderem a quem procura o primeiro tecto, de acordo com a Jones Lang LaSalle (JLL), empresa do ramo imobiliário que considera haver demasiada procura para a ainda baixa oferta que existe em Macau.

Durante a avaliação do primeiro semestre económico de Macau, a consultora refere, que os principais afectados são os casais jovens, mas a resposta, considera a Jones Lang LaSalle, pode estar nas casas mais antigas. A Jones Lang LaSalle diz que o Governo deve olhar para os que mais têm e ajudar, principalmente, os casais jovens a adquirirem uma casa.

De acordo com os números que a JLL cita, nos últimos cinco anos houve quase 4.000 novos casamentos, mas, no mesmo período, pouco mais de 2.500 novas fracções ficaram prontas a habitar.

Os números seguem a mesma linha se olharmos de forma mais abrangente. Em Macau, no final do primeiro trimestre de 2018, existiam mais de 20 mil candidaturas aos projectos residenciais, mas pouco mais de 9.000 fracções em construção. A conclusão da consultora é que “a oferta é inadequada”, como ficou escrito no resumo disponibilizado.

Por isso, o Governo deve procurar uma forma de, a longo prazo, facilitar as transacções, em especial através das casas mais antigas. Até porque, como diz Jeff Wong, responsável pela área da habitação da JLL, as casas novas “demoram muito tempo até estarem prontas”.

“Em Macau, como não existe bolsa de valores, um dos mais rápidos veículos de investimento é adquirir propriedades. Muitas casas pertencem maioritariamente a pessoas mais velhas e são mais antigas ou pequenas. Portanto, podem ser acessíveis a pessoas mais jovens. Aumentar a oferta de casas novas leva muito tempo, às vezes uma década. Mas a curto prazo, acho que o Governo deve pensar em como facilitar as transacções para os casais jovens conseguirem comprar casas que chegam ao mercado. Creio que é uma das direcções que o Governo deve explorar ou pensar numa próxima fase”, disse Jeff Wong.

O resumo relata um aumento no último mês de Janeiro no número de transacções de mais de 200,7 por cento, comparativamente com 2017. As 9.986 transacções efectuadas aconteceram um mês antes da entrada em vigor das medidas do Governo para o mercado da habitação.

Apesar da forte subida, Jeff Wong diz que o “impacto a curto prazo é bom, porque a maior parte destas transacções foram em primeiras casas”, ou seja, as medidas governamentais “estão a surtir efeito”.
A Jones Lang LaSalle diz que as medidas do Governo “são boas, para já”. Mas a longo prazo “é preciso encontrar formas de melhorar a oferta de habitação”.

Em outro âmbito, a Jones Lang LaSalle abordou a evolução do comércio a retalho, que atingiram números recorde. A consultora diz que é uma consequência natural do bom desenvolvimento económico.

Os Serviços de Estatística e Censos dizem que as vendas a retalho em Macau cresceram 25,7 por cento no primeiro trimestre de 2018. O valor supera agora os 20 mil milhões de patacas, que é um novo máximo.

Durante a avaliação do primeiro semestre económico de Macau, a consultora e empresa do ramo imobiliário diz que o aumento do número de visitantes está intimamente ligado ao desempenho do comércio a retalho. Uma relação causa e efeito, diz Oliver Tong, responsável da área de retalho e mercados da Jones Lang LaSalle.

“Em primeiro lugar, houve um aumento do número de visitantes a um ritmo muito rápido. Depois, não foram apenas mais pessoas a chegar, mas também o aumento do tempo de permanência em Macau. Os turistas não só ficam mais tempo, como também estão inclinados a gastar mais em diferentes tipos de retalho. Por fim, as receitas do jogo também aumentaram. Isso também contribui para as vendas a retalho”, refere Oliver Tong.

O bom desempenho das vendas a retalho também se deve aos novos empreendimentos que se preparam para abrir no Cotai. O Grand Lisboa Palace, a nova fase do Studio City e o futuro Londener abrem a porta a mais gastos de quem nos visita. O entusiasmo criado pela nova ponte do Delta é outro dos factores apontados pela JLL.

João Picanço