Em destaque

22 de Fevereiro 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.20 patacas e 1.13 dólares norte-americanos.

AI: “Liu Xiaobo ainda diz muito, não só ao povo chinês”
Sexta, 13/07/2018
Um ano depois da morte do escritor e dissidente Liu Xiaobo, o legado do único Nobel da Paz chinês, falecido enquanto cumpria uma pena de prisão por subversão, “ainda diz muito, não só ao povo chinês, mas também a muitas pessoas em todo o mundo”, disse à TDM – Rádio Macau Patrick Poon, investigador sobre a China da Amnistia Internacional (AI).

Liu Xiaobo morreu no dia 13 de Julho de 2017, aos 61 anos, vítima de cancro do fígado e sob custódia das autoridades chinesas, depois de, em 2009, ter sido condenado a 11 anos de prisão por “subversão do poder do estado”, devido a ter apelado a reformas democráticas.

O antigo professor universitário foi o primeiro Nobel da Paz a morrer privado de liberdade desde Carl von Ossietzky, o pacifista alemão que faleceu à guarda do regime nazi, em 1938.

Em declarações à TDM – Rádio Macau, Patrick Poon, investigador sobre a China da Amnistia Internacional, considera que o legado de Liu Xiaobo permanece vivo em todo o mundo, em particular na China, onde “é o dissidente mais conhecido e é muito respeitado pela comunidade de dissidentes”.

De acordo com Poon, que é responsável por acompanhar a situação dos direitos humanos na China, a luta pela liberdade de expressão no país não tem vindo a diminuir, mas a repressão também não deu sinais de abrandar no último ano desde a morte de Liu Xiaobo: “No geral, temos assistido a muitos momentos tristes. Ainda há muitos activistas que são perseguidos e detidos. Ainda esta semana tivemos o caso de Qin Yongmin, um escritor dissidente muito conhecido na China, condenado a 13 anos de prisão. O que ele fez foi muito parecido com o que Liu Xioaobo fez: escrever artigos sobre a democracia e os direitos humanos. Estava apenas a exercer a liberdade de expressão”.

Esta semana, Pequim autorizou Liu Xia, a fotógrafa e escritora viúva de Liu Xioabo, a sair da prisão domiciliária de facto em que vivia desde que o marido foi galardoado com o Nobel da Paz, em 2010, e viajar para Berlim, na Alemanha, onde poderá receber tratamento para a depressão.

Mas na quarta-feira, um dia depois de Liu Xia sair da China, um outro activista chinês, Qin Yongmin, de 64 anos, foi condenado a 13 anos de prisão por “subversão do poder do estado”.

Patrick Poon defende que as autoridades pretenderam passar uma mensagem clara: “Querem que os dissidentes e as restantes pessoas na China saibam que se seguirem o caminho de Qing Yongmin e Liu Xiaobo vão enfrentar o mesmo tratamento e ser condenados a penas pesadas, ter a voz silenciada e os familiares perseguidos. É uma mensagem muito clara para as pessoas na China que pretendem expressar o que pensam de forma livre, sobretudo criticar o governo”.

Apesar da dureza da repressão continuar na China, Patrick Poon acredita que a memória e o exemplo de Liu Xiaobo vão servir de inspiração às futuras gerações do país: “Sobretudo entre as gerações mais jovens que tiveram a experiência de viajar para o estrangeiro, vendo coisas fora da China que lhes fizeram pensar que aquilo que Liu Xiaobo defendeu eram apenas coisas normais em países onde se pode desfrutar da liberdade de expressão. Penso que, no longo prazo, o legado de Liu Xiaobo vai ter muita influência nas gerações mais novas”.

Hugo Pinto