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Amnistia Internacional saúda libertação de Liu Xia
Terça, 10/07/2018
Ao fim de oito anos de prisão domiciliária, a escritora Liu Xia, viúva do dissidente chinês e Nobel da Paz Liu Xiaobo, deixou hoje a China com destino à Alemanha.

A informação foi confirmada à TDM – Rádio Macau por Patrick Poon, da Amnistia Internacional de Hong Kong: “Soubemos por fontes nossas e confirmamos noutras que Liu Xia está a caminho de Berlim, na Alemanha. Sabemos também que o irmão mais novo, Liu Hui não está com ela. Aquilo que a Amnistia Internacional pode dizer neste momento é que consideramos uma notícia muito boa que ela finalmente tenha sido autorizada a deixar a China para receber tratamento. É algo que ela desejava há muito tempo, de modo a ser tratada da depressão que sofre”.

Liu Xia encontrava-se em prisão domiciliária de facto desde que o marido foi galardoado com o Nobel da Paz, em 2010, numa altura em que já cumpria a pena de 11 anos por subversão a que fora condenado em 2009.

Liu Xiaobo morreu no dia 13 de Julho do ano passado, aos 61 anos, vítima de cancro do fígado, sob custódia das autoridades chinesas.

O escritor e professor de literatura que enveredou pelo activismo político foi o primeiro prémio Nobel a morrer privado de liberdade desde o pacifista alemão Carl von Ossietzky, que faleceu em 1938 num hospital quando estava detido pelos nazis.

Patrick Poon, que na Amnistia Internacional se debruça sobre as questões chinesas, alerta que, para já, não há garantias de que Liu Xia esteja livre da pressão de Pequim, devido ao irmão que ficou para trás: “O problema é que o irmão Liu Hui ainda está sob vigilância apertada. Estamos bastante preocupados que ela ainda esteja sob pressão do governo chinês para que não fale muito, ainda que esteja fora da China”.

Sobre os motivos da libertação de Liu Xia neste momento, Poon aponta a pressão internacional que coincidiu com a visita do primeiro-ministro chinês à Europa: “Acho que é porque Liu Keqiang está de visita à Alemanha e esta semana realiza-se a cimeira sino-europeia. Também houve pressão internacional feita por muitas organizações em torno destes dois eventos. Julgo que, por tudo isso, o governo chinês, finalmente, permitiu que Liu Xia partisse”.

No mês passado, várias organizações não-governamentais apelaram aos líderes europeus para que, durante a cimeira União Europeia-China, agendada para 16 e 17 de Julho, exijam a Pequim a libertação de activistas pelos direitos humanos, incluindo Liu Xia.

Nestas declarações à Rádio Macau, Patrick Poon destacou ainda a pressão da chanceler alemã, Angela Merkel, um exemplo que o responsável da Amnistia Internacional considera que devia ser seguido por outros líderes mundiais: “Julgo que teve um papel que contribuiu bastante para a pressão sobre a China, ajudando Liu Xia a sair do país. Encorajamos outros países, em especial da Europa, a continuar a pressionar a China nos direitos humanos. Vemos resultados positivos neste caso. Sem dúvida que a pressão internacional conta. Esperamos, por isso, que outros países possam, no futuro, continuar a chamar a atenção para casos de direitos humanos”.

O governo chinês confirmou, entretanto, que Liu Xia abandonou o país com destino à Alemanha, para receber “tratamento médico”, após oito anos em prisão domiciliária.

Numa conferência de imprensa de rotina, Hua Chunying, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, negou todavia que a decisão de Pequim em permitir a saída de Liu Xia esteja relacionada com a visita oficial a Berlim do primeiro-ministro, Li Keqiang.

Hugo Pinto