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Relatório: Jogo “altamente exposto” a guerra comercial
Terça, 10/07/2018
O sector do jogo de Macau está “altamente exposto” à guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, de acordo com a avaliação da consultora Steve Vickers and Associates.

Num relatório a que a TDM – Rádio Macau teve acesso sobre o conflito que opõe as duas maiores economias do mundo, lê-se que o maior perigo para os casinos pode vir da eventual desvalorização da moeda chinesa.

Segundo se lê no documento, “qualquer abrandamento significativo ou queda do valor do renminbi pode levar Pequim a restringir ainda mais o fluxo de capitais para fora do país, diminuindo as receitas dos casinos”.

Steve Vickers, administrador executivo consultora especialista em riscos políticos e empresariais, alerta ainda que as três operadoras do jogo norte-americanas – Las Vegas Sands, MGM e Wynn Resorts – localizam-se numa “falha geopolítica”, pelo que as respectivas concessões “podem estar em risco”.

O documento recorda, ainda, o facto de o fundador e presidente da Sands, Sheldon Adelson, possuir laços próximos com o presidente norte-americano Donald Trump, de quem foi um dos maiores doadores durante a campanha eleitoral nos Estados Unidos.

A guerra comercial iniciou-se no passado dia 6 de Julho, com os Estados Unidos a imporem tarifas adicionais de 25 por cento a importações chinesas no valor de 34 mil milhões de dólares.

As novas taxas provocaram uma reacção da China, que tinha prometido retaliar na mesma moeda, taxando em igual medida produtos americanos incluindo carne de porco, soja e automóveis.

O relatório de Steve Vickers cita outros exemplos de sectores regionais asiáticos que também podem estar em risco. É o caso do tecnológico, com desafios para fabricantes como o taiwanês Foxconn, num cenário que pode beneficiar as empresas japonesas e coreanas que produzem na Tailândia ou Vietname.

As empresas estrangeiras que vendem produtos turísticos ou educativos na China, aponta o relatório, são outro potencial alvo numa guerra comercial. Os alunos chineses podem vir a preferir as universidades australianas ou mesmo europeias, em vez das norte-americanas.

Num cenário de incerteza sobre o escalar de medidas como a imposição de novas tarifas e a durabilidade das políticas proteccionistas, o relatório aconselha as empresas a prepararem-se para um aumento dos preços e darem início a medidas de poupança.

Outra sugestão consiste na avaliação dos riscos políticos que as medidas nacionalistas representam, como eventuais boicotes, o que pode passar pela reestruturação de fusões e a escolha de parceiros considerados “neutros”.

Hugo Pinto