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Chapas sínicas: Documentos centenários ainda surpreendem
Sábado, 07/07/2018
O Museu das Ofertas da Transferência de Soberania acolhe desde hoje até 7 de Agosto a exposição “Chapas Sínicas – Histórias de Macau na Torre do Tombo”, documentos que, ao fim de mais de 300 anos, ainda são objecto de revelações que surpreendem os investigadores, disse à TDM – Rádio Macau Silvestre Lacerda, o director do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Na mostra vai estar patente parte da colecção dos registos oficiais entre a administração de Macau e o governo da Dinastia Qing, que no ano passado foi inscrita no Registo Memória do Mundo, da UNESCO.

Os documentos viajaram de Portugal até Macau pela mão de Silvestre Lacerda, que, no Rádio Macau Entrevista, revelou que há novidades que vão permitir um aprofundar das investigações, devido aos trabalhos de recuperação e conservação que têm sido feitos: “Os investigadores que estiveram a trabalhar, e foram vários, ao longo de dezenas de anos, não tiveram acesso devido ao estado de degradação em que os documentos se encontravam. Vamos ter novidades do ponto de vista da disponibilização da informação, que vai permitir o aprofundar do conhecimento, outros olhares sobre estes documentos”.

De acordo com o director da Torre do Tombo, há cerca de seis mil chapas sínicas conhecidas, mas devido dos trabalhos de restauro, esse número “pode aumentar”.

Fazem parte da exposição que abriu hoje ao público 107 documentos que descrevem vários aspectos da relação entre Macau e a China imperial: “São documentos sobre o quotidiano da vivência e das relações entre as autoridades portuguesas e chinesas e os habitantes deste território. Estamos a falar desde documentos sobre o bazar chinês e a localização dos vários comerciantes, das regras, dos regulamentos, da administração da justiça, de uma parte importante do que era a pirataria, o tráfico e o contrabando”.

Esta exposição resulta da colaboração entre a Torre do Tombo e o Arquivo de Macau, trabalho desenvolvido ao longo dos últimos três anos e que tornou possível descobrir algo até aqui desconhecido – o material usado para fazer as chapas sínicas: “Conseguimos detectar, com a ajuda dos colegas de Macau, que o material de suporte não é o papel de arroz como vulgarmente se conhecia, mas é feito com base em bambu”, explicou Silvestre Lacerda.

Outra novidade na colecção das chapas sínicas, acrescentou o director da Torre do Tombo, é a existência de documentos em Latim: “Até ao momento, não eram conhecidos, porque estavam junto da documentação portuguesa e a transcrição dos documentos foi sempre feita a partir dos documentos chineses. Nós não temos ainda a certeza relativamente a esta questão. Normalmente, os intérpretes e os linguistas eram missionários e a formação de base deles era o latim, portanto estariam muito mais hábeis a fazer primeiro uma transcrição para o latim e depois para o português”.

A exposição das Chapas Sínicas decorre em duas fases: a primeira de hoje até 7 de Agosto, no Museu das Ofertas da Transferência de Soberania, e a segunda de 21 de Agosto a 7 de Dezembro, no Arquivo de Macau.

O Rádio Macau Entrevista vai para o ar, hoje, ao meio-dia, e repete segunda-feira às 10h30.

Hugo Pinto