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Manifestação para mostrar que Governo tem que dialogar
Domingo, 01/07/2018
Sai para a rua esta tarde uma manifestação motivada pela escolha de construir um crematório no cemitério Sa Kong, na Taipa.

O projecto já foi retirado pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, mas, mesmo assim, o deputado José Pereira Coutinho, organizador do protesto, afirmou à TDM – Rádio Macau que é importante mostrar ao Governo que tem que dialogar com a população antes de avançar com medidas que mexem com a vida de todos: “Mantemos a manifestação para passar uma mensagem de que o Governo, ao introduzir medidas que implicam alterações do ritmo de vida e preocupações nas pessoas, tem que dialogar frente-a-frente e obter respostas de que os cidadãos estão cientes das implicações que isso traz para as suas vidas”.

A concentração do protesto está agendada para as 15 horas, na Praça do Tap Seac.

Coutinho espera grande adesão porque diz que a “revolta é grande”: “Acho que vai aparecer muita gente. Sabemos que é necessário fazer essa manifestação porque a revolta é grande. As pessoas estão ocupadas com a família e o trabalho e se, mesmo assim, querem vir para a rua, é porque alguma coisa está mal”.

Pereira Coutinho ressalva que não está contra a construção de um crematório, mas sim a escolha do local que, entretanto, foi deixada cair.

Para o deputado, este processo é revelador de que a forma que o Governo tem para ouvir a população não funciona: “Isto demonstra que os conselhos consultivos, especialmente o Conselho Consultivo das Ilhas, falharam redondamente, não obstante [o Conselho Consultivo das Ilhas] ter, pelo menos sete elementos representativos dos moradores, mais quatro ou cinco das associações pertencentes ao ex-deputado Chan Meng Kam. Isto demonstra que a maneira como o Governo constrói a sua rede de associações que tem nos seus conselhos consultivos não tem funcionado”.

Coutinho entende que o Governo já teve tempo para aprender que deve ouvir a população, sobretudo depois do tufão Hato: “Depois do tufão Hato, o grande desastre que nós tivemos, por ter ceifado dez vidas, o Governo devia ter um pouco mais de sensibilidade para estas questões sociais e dialogar directamente com as populações e não por pessoas que são intermediárias e não têm legitimidade democrática nem representatividade para, em nome dos cidadãos, falar sobre políticas sociais que afectam a vida dos residentes”.

Hugo Pinto