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Projecto de construção de um crematório foi suspenso
Terça, 26/06/2018
O projecto de construção de um crematório no Cemitério Sa Kong, na Taipa, foi suspenso, revelou, esta tarde, o presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), José Tavares.

De acordo com o responsável, a decisão deve-se às críticas dos moradores que se mostraram contra a proximidade do crematório.

Apesar de José Tavares defender que a localização proposta era a “ideal” e que o projecto não representava perigos para a saúde, acabou por vingar a oposição a uma infra-estrutura que há vários anos é reclamada e o Governo defende como necessária.

A proposta de localização avançada no dia 8 deste mês pelas Obras Públicas, o Cemitério Sa Kong, na Estrada Almirante Magalhães Correia, foi recebida com críticas por parte de, pelo menos, quatro deputados, bem como da população da zona.

Apesar de considerar que a localização era “ideal em termos de planeamento urbano para minimizar o impacto na vida da população”, já que está perto de “uma montanha que divide o cemitério dos bairros residenciais”, José Tavares disse que o Governo não podia ignorar as preocupações dos moradores: “havendo tanto obstáculo por parte dos residentes da Taipa julgo que devemos ouvir e respeitar”.

Em conferência de imprensa, José Tavares explicou que entre as críticas da população estiveram receios relacionados com o ambiente e a saúde.

O presidente do IACM defende que o projecto era inofensivo e que essas preocupações foram tidas em conta: “a preocupação de encontrarmos um equipamento eficiente, ecológico e que não emite gases nem poeiras”.

Segundo as explicações de Tavares, o crematório era suposto usar gás natural, “um combustível bastante ecológico”, com “emissões inferiores às exigências das normas europeias”.

O presidente do IACM descreveu o projecto como tendo “um equipamento semelhante ao que está a ser usado em Hong Kong”, onde “alguns crematórios “ficam mesmo ao lado de habitações sem se notar cheiros”.

Neste processo, José Tavares admite que houve “falta de informação” sobre o crematório, mas rejeita que se tenha tentado esconder o projecto: “nada foi feito às escondidas. O que se fez foi um procedimento burocrático. Estamos à espera da luz verde das Obras Públicas para saber se o terreno está apto para fazer o crematório”.

Foi no dia 8 deste mês que a Direcção de Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes divulgou um projecto de planta de condições urbanísticas relativo a um cemitério e instalações de apoio, sem especificar, estando previsto um período de recolha de opiniões – incluindo outras plantas de condições urbanísticas – até ao dia 22 deste mês.

Todavia, conforme apontou a deputada Agnes Lam, foi só no dia 20 que se ficou a saber que está a ser planeada a construção de um crematório no Cemitério Sa Kong.

Antes, já a Associação Novo Macau tinha criticado uma consulta pública “às escondidas”. Os deputados José Pereira Coutinho e Wong Kit Cheng também se pronunciaram sobre o projecto de crematório.

José Tavares diz que, agora, vai ser feita uma revisão da lei que limita a construção de crematórios em cemitérios, caso contrário prevê que seja “difícil encontrar outro sítio melhor”.

Ainda sem um calendário, Tavares estima que o processo seja demorado e que leve “uns bons anos”.

O presidente do IACM explicou que se tem notado “uma grande procura dos serviços de cremação”, algo que actualmente é feito em Zhuhai.

O projecto de crematório que foi agora suspenso deveria servir a população de Macau durante 50 anos.

Outro dos argumentos para construção de um crematório em Macau é a necessidade de protecção em caso de um surto de doenças infecto-contagiosas.

Com o projecto de um crematório suspenso, José Tavares diz Macau vai ter que “assumir esse risco” e procurar outras medidas, como “arranjar locais apropriados para fazer enterros mais profundos”.

O projecto de construir um crematório em Macau remonta à década de 1990. Em 2016, na Assembleia Legislativa, numa sessão de perguntas e respostas com os deputados, o Chefe do Executivo, Chui Sai On, afirmou que já era tempo de se pensar na construção de um crematório em Macau para salvaguardar a saúde pública e as necessidades sociais.

O líder do Governo alertava, na altura, para o perigo de Macau poder ver-se na situação de não conseguir tratar de restos mortais infectados no caso de alguma epidemia.

Hugo Pinto