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DSPA não vai aumentar capacidade da ETAR de Macau até 2023
Quarta, 13/06/2018
A Estação de Tratamento de Águas Residuais da Península de Macau vai continuar sobrecarregada pelo menos até 2023, apurou a TDM – Rádio Macau. Apesar de estar a decorrer um novo concurso público para a exploração e modernização da ETAR, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) optou por manter a capacidade de tratamento dos esgotos de Macau muito abaixo do que estava previsto no projecto de construção da ETAR e que serviu de base aos contratos que se seguiram.

O Governo prepara-se para assinar, já em Outubro, um novo contrato para operação de modernização da estação, mas, sem um aumento de capacidade, a ETAR vai continuar a descarregar no mar, sem o devido tratamento, cerca de metade do volume de esgoto que recebe – o equivalente a 31 piscinas olímpicas, por dia.

É um cenário que se repete desde 2009 e se deve manter nos próximos cinco anos. À Rádio Macau, a DSPA justificou a decisão de não aumentar a capacidade da ETAR com o facto de o “espaço” ser “insuficiente”.

De acordo com o projecto de construção, de 1995, e que serviu de base aos contratos de concessão, a ETAR de Macau devia ter capacidade para tratar 144 mil metros cúbicos de esgotos por dia – o que não acontece. A estação só consegue tratar cerca de metade do previsto, de acordo com quatro relatórios de avaliação, pedidos pelo Governo e pela antiga operadora da ETAR, tal como noticiou, em Maio, a Rádio Macau.

Desde então, que a Rádio tem tentado esclarecer a situação. A resposta chegou agora: “Esta redução [da quantidade de água efectivamente tratada] tem a ver principalmente com o tempo de operação da ETAR, mais de 20 anos, a qualidade alterada de afluentes e o envelhecimento de equipamentos”, justifica a DSPA.

Os Serviços de Protecção Ambiental alegam que “que todas as águas residuais são submetidas a tratamento antes de serem descarregadas”. Os esgotos que excedem a capacidade da ETAR recebem o que o Governo chama “tratamento básico”, antes de serem despejados no mar – um processo que, de acordo com fontes da indústria, é altamente poluente.

A ETAR da Areia Preta entrou em funcionamento em 1996. Logo no ano seguinte, o Laboratório de Saúde Pública dava já a conhecer que 20 por cento dos esgotos produzidos em Macau eram lançados ao mar sem qualquer tratamento devido à falta de infra-estruturas.

Além da falta de espaço, os Serviços de Protecção Ambiental dizem que a “a proposta de modernização”, prevista no actual concurso público para a exploração da ETAR, é “melhor opção” do que o aumento da capacidade também por estar prevista a construção de uma nova ETAR, na ilha artificial da Ponte Hong Kong Zhuhai. Para quando, não se sabe.

Sónia Nunes