Em destaque

19 de Fevereiro 2019: às 12h30, o BNU negociava 1 euro por 9.16 patacas e 1.12 dólares norte-americanos.

AL: Governo “absolutamente opaco” em relação ao Jockey Club
Quinta, 14/06/2018
Ella Lei, presidente da Comissão para o Acompanhamento de Terras e Obras Públicas, terminou hoje uma reunião de duas horas com o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, sem conseguir perceber os argumentos do Governo para estender por mais 24 anos o contrato da Companhia de Corridas de Cavalos, com a empresa a declarar prejuízos acumulados de quatro mil milhões de patacas, uma dívida de 200 milhões de patacas ao Governo e um plano de investimento geral.

Para a presidente da Comissão que acompanha a renovação do contrato do Jockey Club, a pergunta é legítima: “Esse tipo de concessão pode dar uma imagem e gerar mesmo uma dúvida junto da população: Será que nem o Governo sabe bem o que está fazer?”. Ella Lei referia-se à falta de informações concretas sobre o plano de investimento do Jockey Club, que Lionel Leong apresenta como um dos motivos para justificar a extensão do contrato.

Sem respostas do secretário e havendo deputados favoráveis à renovação do contrato, a Comissão pede apenas que o Executivo mude de atitude. “Espero que o Governo possa rever o que fez hoje porque o que fez é absolutamente opaco. Não há um mínimo grau de transparência”, afirmou Ella Lei, muito crítica da decisão do Governo de só se ter mostrado disponível para prestar esclarecimentos já depois de ter assinado o contrato.

O Jockey Club está obrigado a aumentar o capital social para, pelo menos, 1500 milhões de patacas, até 2023. Para os deputados, ao contrário do que defende o Governo, nada garante que este é o valor que, de facto, a empresa vai investir – o novo contrato também não prevê qualquer consequência para a concessionária caso não cumpra o plano de investimento.

Lionel Leong limitou-se a confirmar que o projecto inclui um museu, uma escola de equitação, mas também um centro comercial e habitação para os trabalhadores. Sem qualquer ideia das áreas envolvidas, os deputados não conseguem dizer se o plano está de acordo com a finalidade do terreno: “Para nós são meramente nomes. Será que esses planos têm que ver com a diversificação da economia? Precisamos de mais informações, só depois é que podemos fiscalizar a concretização do projecto”.

O secretário disse que será a empresa a divulgar os detalhes do plano de investimento.

Sónia Nunes