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AMCM justifica investimentos em Guangdong com risco zero
Segunda, 11/06/2018
O presidente da Autoridade Monetária, Benjamin Chan, defendeu hoje a decisão de investir 20 mil milhões de renmimbi em projectos de Guangdong por estar garantido que Macau nunca vai sair a perder. As condições do Fundo para o Desenvolvimento para a Cooperação Guandong-Macau, apresentadas esta tarde à Assembleia Legislativa, garantem, todos os anos, um retorno para a RAEM de 3,5 por cento sobre o valor investido – em qualquer cenário; haja ou não prejuízos.

“Garantimos o nosso capital e os juros. Não assumimos quaisquer riscos. Quem assume? É a outra parte”, declarou Benjamin Chan para justificar o volume de investimento (considerado baixo por alguns deputados) e a taxa de retorno “moderada”. “Depois de ouvir a apresentação da AMCM, as condições do fundo são belíssimas”, reagiu Au Kam San, ao resumir as dúvidas dos deputados sobre as contrapartidas para Macau.

O plano é investir, numa primeira fase, dois mil milhões de renmimbi e, em doze anos, aumentar o capital até 20 mil milhões. Os deputados pediram projecções e dados sobre os programas de investimento, mas a informação não foi facultada, com o presidente da Autoridade Monetária a insistir na ideia de que Macau não vai perder dinheiro.

O reverso da medalha é Macau continuar a receber pouco mais do que o rendimento mínimo garantido caso o fundo venha a ter uma rentabilidade superior a 3,5 por cento, quando Guangdong encaixa, automaticamente, o resto. Só se o retorno for superior a 7,8 por cento é que Macau recebe mais: 55 por cento, ficando Guangdong com 45 por cento.

Para Benjamin Chan a principal contrapartida para a RAEM é não ter poder de decisão: “Não vamos participar na gestão do investimento. Se assumirmos a decisão, teremos também de assumir os riscos. Só que, de acordo com a solução que vamos adoptar, não precisamos assumir os riscos. É Guandong quem decide” .

O fundo vai gerido por uma empresa da China – a Sociedade Gestora do Fundo Guangdong-Macau – que tem como accionistas a GuangDong NamYue Group e a Guangdong Hengjian Asset Management. Macau é representado pela Sociedade Financeira ICBC, a entidade escolhida como agente de investimentos.

Macau tem também poder de veto e pode fazer uma lista com os projectos que considerar negativos.

A Autoridade Monetária já recebeu uma lista de 14 projectos e, de acordo com Benjamim Chan, são todos passíveis de aprovação.

Os deputados pediram mais informações sobre a publicidade dos relatórios financeiros e de auditoria, que a Sociedade Gestora do Fundo está obrigada a apresentar.

O presidente da Autoridade Monetária disse que as informações serão públicas se não estiverem classificadas como confidenciais ou se não envolverem segredos comerciais.

Sónia Nunes