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Lai Chi Vun: Moradores contestam Conselho do Património
Quinta, 07/06/2018
“Argumentos ridículos”. É assim que David Marques, o presidente da Associação dos Moradores da povoação de Lai Chi Vun, classifica as posições da esmagadora maioria dos membros do Conselho de Património Cultural que está contra a classificação dos estaleiros como “Bem Imóvel”.

O Conselho reuniu à porta fechada na terça-feira e a posição dos membros foi dada a conhecer, um dia depois, pela presidente do Instituto Cultural (IC), Mok Ian Ian.

Na reunião, 14 entre 17 membros do Conselho fincaram argumentos na ideia de que se a classificação avançar, o espaço dos estaleiros terá de obedecer às exigências da Lei de Salvaguarda do Património Cultural.

De acordo com o Instituto Cultural, a maioria teme que a classificação dos estaleiros seja um obstáculo para o desenvolvimento e revitalização da zona. Além disso, invoca custos para renovar e manter os estaleiros como outro dos entraves ao desenvolvimento.

David Marques ataca ambos os argumentos, a começar pelos custos: “Penso que estes dois argumentos são ridículos. Qual é o custo para a renovação? Eles forneceram algum número? Comparando com outros projectos públicos, como o metro ligeiro – onde afundámos milhões –, neste nada foi feito até agora. Eles não deram nenhum valor”.

O Instituto Cultural não avançou quaisquer valores relativos aos custos mencionados pelos membros do Conselho do Património Cultural.

Em resposta aos jornalistas, a vice-presidente do IC Leong Wai Man disse na conferência de imprensa que alguns membros manifestaram a opinião de que “alguns estaleiros foram restaurados por trabalhadores navais” e que “restaurar de acordo com a aparência original pode custar muito dinheiro”. “Contando com mais de dez lotes, isso deve envolver uma despesa muito grande”, disse a vice-presidente.

David Marques salienta questão financeira como uma das grandes incógnitas que é preciso explicar.

“Por que é que a revitalização haveria de ser um obstáculo? Qual é o critério deles? Que forma de revitalização é que eles estão a pensar? Apresentaram alguma coisa? Porque é que haveria de ser um problema se não dizem o que estão a planear fazer? Obstáculo para quem?”, questiona o dirigente associativo, elencando uma série de perguntas às quais os moradores gostariam de ter resposta.

David Marques aponta ainda o princípio da transparência. “O facto de a reunião ter sido à porta fechada é, desde logo, mau sinal”, afirma, sublinhando que enquanto os residentes da pequena povoação de Lai Chi Vun participaram na consulta pública e disseram por que razão devem os estaleiros ser protegidos, os membros do Conselho de Património Cultural não explicam porque defendem o contrário.

Fátima Valente