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Arte Japonesa: "A Grande Onda de Kanagawa" guardada no BNU
Terça, 05/06/2018
É uma das obras de arte mais famosas de Katsushika Hokusai e está nos cofres do Banco Nacional Ultramarino. A “Grande Onda de Kanagawa” integra um conjunto de 46 gravuras do artista japonês Katsushika Hokusai (1760 – 1849) adquiridas pelo Fundo de Pensões, sob a Administração portuguesa, entre 1987 e 1989.

A perspectiva do Monte Fuji através das agitações das ondas no mar alto da costa de Kanagawa é, aliás, descrita num artigo publicado pelo Instituto Cultural e assinado por João Roberto – então presidente do Conselho de Administração do Fundo de Pensões de Macau –, que destaca o centenário da colecção de arte japonesa.

O também antigo director das Finanças de Macau descreve então a “talvez mais conhecida gravura de conjunto”, destacando a predominância de “uma grande vaga pronta a abater-se sobre alguns barcos de pescadores”.

Mas há mais obras. Ao todo são 84 as gravuras japonesas detidas pelo Fundo de Pensões e incluem duas obras de Kitagawa Utamaro (1754-1806) e Suzuki Harunobu (1724-1770), conta João Roberto no artigo publicado na Revista Cultura.

No texto, João Roberto começa por justificar o investimento: “Como é do conhecimento geral, procedeu o Fundo de Pensões de Macau à aquisição, em finais de 1987 e durante o ano de 1988, de um conjunto de obras de arte de autores japoneses dos séculos XVIII e XIX, em que se incluem, para além de duas gravuras avulsas dos artistas Utamaro e Harunobu, duas colecções da autoria de Katsushika Hokusai e Ando Hiroshje, sobre a temática “As trinta e seis vistas do Monte Fuji”.

João Roberto escreve que “à excepção das gravuras de Hiroshije, o investimento resulta de um processo de alienação associado à Companhia de Caminhos de Ferro Britânicos”.

Além disso, enquadra as aquisições “no âmbito de uma estratégia de diversificação de investimentos”.

O antigo presidente do Fundo de Pensões justifica que a compra “nada tem de estranho, dada a inexistência de responsabilidades de curto prazo e a situação gerada pelo ‘crash’ verificado nos finais de 1987”.

Também argumenta com “a necessidade de, face à instabilidade dos mercados, adoptar uma atitude de refúgio e encontrar uma alternativa razoável aos instrumentos “tradicionais” em que o fundo se encontrava investido”.

Fátima Valente