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Sulu Sou: manual de História da China é incompleto
Segunda, 04/06/2018
Uma história incompleta é como o vice-presidente da Associação Novo Macau, Sulu Sou, descreve o novo manual de História da China, incluindo Macau, elaborado para o ensino secundário pelos Serviços de Educação e Juventude e por uma editora estatal chinesa, e que poderá ser usado pelas escolas do território já a partir do próximo ano lectivo.

Segundo o que Sulu Sou disse à TDM – Rádio Macau, uma versão do livro foi enviada “no início do ano” a todas as escolas secundárias, cabendo a cada uma a decisão de usar o material didáctico, o que pode ser feito já a partir do próximo ano lectivo.

A TDM – Rádio Macau questionou os Serviços de Educação e Juventude sobre este manual, mas não obteve, até ao momento, uma resposta.

O livro, produzido com a colaboração da Editora de Educação Popular (People's Education Press), que funciona sob a liderança do Ministério da Educação chinês, foi anunciado pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, em Novembro de 2016. Na Assembleia Legislativa, o líder do Governo afirmou, na altura, que os manuais com conteúdo uniforme aos do interior da China poderiam ser usados no ano lectivo de 2019/2020.

Em declarações à TDM – Rádio Macau, Sulu Sou, deputado com mandato suspenso, considera que o manual apresenta uma visão parcial da história de Macau e deixa de fora episódios que marcaram a China.

Um dos acontecimentos significativos da história chinesa que Sulu Sou diz faltar é a repressão dos protestos estudantis que, em 1989, reclamavam reformas democráticas na principal Praça de Pequim: “lemos o manual e vemos que faltam aspectos importantes da história, como o episódio de 4 de Junho na Praça de Tiananmen. Perguntei aos Serviços de Educação porque é que este episódio foi ignorado”.

De acordo com Sulu Sou, o manual é composto por 18 capítulos, incluindo três sobre a história de Macau, que o deputado entende estar contada de forma incompleta: “sinto que não apresenta toda a história aos alunos, especialmente na descrição do governo português de Macau. Esta história não conta tudo. Descreve o governo português como uma coisa negativa para Macau e leva os alunos a pensar que a transferência de administração para a China foi um momento muito bom para Macau”.

Sulu Sou entende que teria sido adequado ouvir especialistas de Macau sobre a história do território, incluindo académicos portugueses, o que lamenta não ter acontecido.

Hugo Pinto