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Tiananmen: Reformas democráticas marcam vigília no Senado
Sexta, 01/06/2018
A vigília em homenagem às vítimas do massacre de Tiananmen está convocada para segunda-feira, 4 de Junho, no Largo do Senado. Pelo quinto ano consecutivo, a principal praça de Macau volta a estar disponível para acolher a cerimónia, confirmou, esta semana, à TDM – Rádio Macau o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais.

Pelo menos durante 15 anos, entre 1999 e 2014, a vigília, organizada pela União para o Desenvolvimento Democrático de Macau, foi desviada para o largo de S. Domingos por estarem já actividades previstas para o Largo do Senado.

Este ano, à semelhança dos anteriores, haverá espaço para debate e intervenções do público. Do lado da organização, mantêm-se os pedidos de reformas democráticas em Macau e na China. “Todos os anos pedimos o mesmo. Vamos continuar a fazê-lo, para sempre”, começa por dizer à TDM – Rádio Macau, Ng Kuok Cheong, fundador da UDDM.

“Pedimos abertamente para que reavaliem os acontecimentos de 4 de Junho de 1989 e que o governo chinês faça uma efectiva reflexão da história e a promessa concreta de um caminho democrático para a China no sentido de evitar que a história se repita. Vamos também voltar a lembrar os pedidos das mães de Tiananmen”, resume Ng Kuok Cheong.

O grupo Mães Tiananmen divulgou ontem uma carta aberta ao presidente da China, Xi Jinping, pedindo que o Governo Central assuma responsabilidades pelo massacre e peça desculpas aos familiares dos estudantes assassinados. Pequim continua a descrever os acontecimentos como uma rebelião contra-revolucionária.

Em Macau – o único lugar da China, além de Hong Kong, onde se assinala o 4 de Junho – a vigília serve também para fazer um ponto de situação ao ambiente político local. Ng Kuok Cheong aponta para uma deriva autoritária: “Actualmente, o Governo obedece e segue a linha do Governo Central de promover um regime autoritário para controlar a sociedade. É um problema antigo, dos últimos três ou quatro anos. Vamos continuar a debater esta questão”.

Para o deputado, o momento de viragem em Macau dá-se em 2014 – uma “mudança” que, defende o democrata, “não está apenas relacionada com o movimento Occupy em Hong Kong”, mas com alterações na forma de actuar do poder local. Ng Kuok Cheong usa o caso democrata Sulu Sou como exemplo: “É um dos casos que surge da mudança, em 2014, na postura das autoridades contra as manifestações. Tem havido já alguns casos em que se recorre aos tribunais para tentar parar certo tipo de desafios ao Governo” afirma o deputado.

Ng Kuok Cheong não quis comentar a decisão do Tribunal Judicial de Base, que condenou Sulu Sou e Scott Chiang a pena de multa por considerar que os activistas estiveram envolvidos numa manifestação ilegal. O deputado disse apenas que esperar que Sulu Sou volte para a Assembleia Legislativa “o mais rápido possível”.

Sulu Sou tem o mandato de deputado suspenso desde Dezembro, menos de três meses depois de ter tomado posse.

Sónia Nunes