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4 de Maio: Ng Kuok Cheong vê potencial em Macau
Sexta, 04/05/2018
Ng Kuok Cheong, o mais veterano deputado pró-democracia de Macau, considera que a população do território tem potencial para protagonizar um movimento com o mesmo espírito que animou as manifestações de 4 de Maio de 1919, em Pequim, uma data simbólica do nacionalismo e da democracia na China.

Esta noite, pelas 20h30, no Gabinete dos Deputados Ng Kuok Cheong e Au Kam San, é realizado um fórum dedicado ao “Movimento 4 de Maio”.

Desde 1989 que Ng Kuok Cheong e Au Kam San organizam um fórum no mesmo dia que o Partido Comunista Chinês, quando tomou o poder, em 1949, estabeleceu como o Dia da Juventude.

Há quase uma centena de anos, os estudantes chineses saíram à rua em Pequim defendendo ideias como democracia e nacionalismo, algo que Ng Kuok Cheong acredita poder repetir-se: “Não só é possível, como também é provável. A situação económica e as condições de trabalho já sofreram alterações radicais na China. A população chinesa devia participar na procura de novas soluções para os problemas. Não acredito que o Partido Comunista possa resolver tudo”.

Nesse sentido, Ng Kuok Cheong acredita que Macau pode marcar a diferença: “Em Macau, temos potencial. Mais pessoas têm habilitação académica superior, mais independência, mais capacidade, mais inteligência. Mas o nosso problema não é apenas a o governo chinês tentar controlar mais profundamente, mas também o facto de a situação económica ser demasiado boa”.

Noventa e nove anos depois do “Movimento de 4 de Maio”, em que os estudantes reclamaram um maior envolvimento nos assuntos públicos e o fortalecimento da nação chinesa, Ng Kuok Cheong entende que se impõe uma reflexão sobre as alterações profundas no que respeita à informação e sua disseminação, com a perda de influência dos chamados “meios de comunicação de massas” em favor das redes sociais.

Há mais informação disponível, observa o deputado, mas isso também significa mais dificuldade em navegar no cada vez maior oceano de dados.

Ng Kuok Cheong alerta que as tecnologias de informação são geridas por empresas, mas também manipuladas por governos: “Actualmente, as autoridades nacionais tentam gradualmente controlar as tendências e as pessoas, não apenas através do poder, mas também da informação”.

Este é um desafio que Ng Kuok Cheong considera particularmente problemático na China: “O Partido Comunista Chinês quer controlar a informação de modo a proteger a sua autoridade para sempre”.

Hugo Pinto