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Tufão Hato:Abordagem de Hong Kong mais segura e conservadora
Quarta, 02/05/2018
Os serviços meteorológicos de Hong Kong tiveram uma abordagem mais “segura e conservadora” do que Macau em decisões relativas aos sinais de tempestade durante a passagem do tufão Hato. E face à velocidade sem precedentes a que o ciclone tropical de deslocava, os sinais de tempestade parecem não ter sido içados de "forma suficientemente rápida em Macau”.

As conclusões fazem parte de um estudo realizado por uma equipa de académicos japoneses que analisou as respostas dos serviços meteorológicos de Macau e Hong Kong a uma das mais fortes tempestades tropicais a atingir a região no último século.

Estas conclusões não impedem os três investigadores do Tokyo Institute of Technology de ressalvarem que as decisões tomadas em relação aos sinais de tufão em ambas as regiões podem ser consideradas “razoáveis” com base nas velocidades de vento que se registaram. E tendo em conta que os métodos de previsão das trajectórias dos ciclones tropicais ainda apresentam margens de erro de 100 quilómetros para previsões de 24 horas.

No entanto, os investigadores não deixam de notar que, face aos dados meteorológicos registados a 22 e 23 de Agosto do ano passado, pelo menos em teoria, Macau e Hong Kong deviam ter hasteado sinais de tufão idênticos à passagem do tufão Hato.

No entanto, os sinais em Macau foram sempre posteriores aos de Hong Kong. E nalguns casos várias horas depois: em Hong Kong o sinal 3 de tempestade tropical foi içado logo às 18h20 do dia 22 de Agosto mas em Macau o mesmo sinal só seria içado quase dez horas depois às três da manhã de dia 23.

No caso de Macau, como não existem regras que sejam públicas e que clarifiquem as condições em que os sinais de tufão devem ser emitidos, os académicos japoneses defendem que as decisões devem ter sido “criticamente difíceis”.

Um dos elementos distintivos do tufão Hato foi a velocidade a que se deslocava: 32,5 quilómetros por hora, quase o dobro do super-tufão Wanda que atingiu o território em 1962.

As autoridades de Macau e Hong Kong não tiveram por isso tempo suficiente para se preparem, apontam os académicos. Particularmente em relação a Macau, os investigadores dizem que os sinais de tempestades não foram içados de forma suficientemente rápida.

Hong Kong, ao invés, adoptou uma abordagem mais “conservadora e mais segura”, ao ter decidido hastear o sinal de tufão oito numa altura em que as velocidades do vento ainda podiam ser classificadas como sendo próprias de sinal 1 ou 3.

No entanto, sublinham os académicos, “esta não pode ser considerada como uma decisão precoce porque foi feita apenas duas a três horas antes da tempestade se ter intensificado de forma extraordinária”.

O estudo realça que os avisos e anúncios públicos à população só são eficazes quando emitidos com suficiente antecedência em relação ao momento em que os ciclones tropicais atingem terra.

O estudo foi realizado com base nos dados meteorológicos registados à passagem do tufão Hato e após uma visita de quatro dias a Macau e Hong Kong realizada pelos três académicos do Tokyo Institute of Technology, 10 dias depois da passagem do tufão Hato.

Para além de observações de campo os académicos japoneses entrevistaram residentes de modo a calcular os níveis das cheias em várias zonas da cidade.

André Jegundo