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Estima de Oliveira “colheu muito da vivência oriental”
Terça, 01/05/2018
Alberto Estima de Oliveira foi um escritor que “colheu muito da vivência oriental”, um certo “modo de viver em estado zen”, que se reflectia também fora dos versos, considera o amigo e igualmente poeta António Correia, na evocação do autor desaparecido há dez anos.

Nascido em Lisboa, em 1934, Alberto Estima de Oliveira faleceu na capital portuguesa no dia 1 de Maio de 2008, aos 73 anos, depois de ter passado duas décadas em Macau, onde publicou várias obras.

A efeméride apanhou António Correia de surpresa, como confessou o advogado à TDM – Rádio Macau: “Parece que foi ontem”.

Na obra que Estima de Oliveira deixou, António Correia considera que o poeta apreendeu uma forma de vida experienciada na cultura oriental de Macau e numa tradição “zen”, que extravasava as páginas dos livros: “Além de poeta de eleição, era uma pessoa simples, humilde, um homem de paz. Tudo estava bem com ele. Nunca vi aquele homem levantar a voz, zangar-se seja por que fosse. Era, de facto, uma pessoa boa”.

A amizade entre António Correia e Alberto Estima de Oliveira começou em Macau, tendo o advogado feito parte “do círculo dos mais próximos” do autor de “Diálogo do Silêncio”.

Nestas declarações à TDM – Rádio Macau, António Correia recorda “as almoçaradas no bairro chinês, na Rua da Felicidade, o ponto principal de encontro”.

A convite do Banco Totta & Açores, António Correia estabeleceu-se em Macau nos princípios de 1980, tendo sido nomeado Director do Contencioso do Banco do Oriente.
Já Estima de Oliveira, chegado em 1982 ao território, onde haveria de ficar até 2002, dirigia a Companhia de Seguros de Macau.

“Ele era dos seguros e eu estava ligado também à banca”, nota António Correia, destacando que, além da ligação ao sector financeiro, “tínhamos em comum a poesia”.
Além do Direito e da gestão de empresas, António Correia também se dedica à poesia, contando já com 16 livros publicados.

Para Correia, o facto de pertencer à banca e Estima de Oliveira aos seguros não representava um caminho improvável até à poesia: “Antes pelo contrário. Normalmente, as pessoas ligadas ao sector financeiro olham para os bens materiais e das duas, uma: ou ficam atrasados mentais que não vêem outra coisa a não ser números, ou então libertam a alma e pensam em tudo menos nos números. Daí é que nasce um sentimento elevado de pensar poeticamente em tudo. É mais importante o espírito do que as coisas do dia-a-dia. Eu acho que era isso que se passava com o Estima. Ele era um grande profissional de seguros, mas libertava-se, precisamente, na poesia”.

Sobre a obra do amigo, fala de “uma poesia muito intimista, muito profunda” que era preciso “saber ler”. E, afiança, “eu entendia-o perfeitamente”.

Hugo Pinto