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Especial Eleições Hong Kong: o perfil dos candidatos
Domingo, 18/03/2012

Há três nomes na corrida ao cargo de Chefe do Executivo de Hong Kong: Henry Tang, Albert Ho e CY Leung. No magazine de informação da Rádio Macau Paralelo 22, a jornalista Isabel Castro traça o perfil dos três candidatos.

 

Henry Tang

 

Dos três candidatos, Henry Tang é um dos nomes mais familiares para quem vive fora de Hong Kong. E isto porque, nos últimos nove anos, desempenhou funções no Governo da região: primeiro como secretário para o Comércio, Indústria e Tecnologia, depois na pasta das Finanças e, mais tarde, como secretário-chefe.

 

Ainda ao tempo da administração britânica, foi deputado ao Conselho Legislativo, como membro do Partido Liberal, uma estrutura partidária pró-Pequim ligada ao sector empresarial. Já depois da transferência de soberania, por duas ocasiões e por períodos curtos, desempenhou interinamente o cargo de Chefe do Executivo.

 

Nascido em Hong Kong em 1952, Henry Tang tem origens na província de Jiangsu. Filho de industriais, destacou-se nesta área de negócios. E, tal como o progenitor, que em tempos foi membro do Comité Permanente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, também Tang tem boas relações com Pequim.

 

Tang deixou a equipa de Donald Tsang no final de Setembro último, para poder formalizar a candidatura a Chefe do Executivo. O ex-governante reconhece que Hong Kong atravessa um momento difícil, mas acredita que com determinação é possível ultrapassar problemas como o grande fosso entre ricos e pobres.

 

Quanto a promessas eleitorais, Henry Tang destaca, antes de mais, a necessidade de diversificar a economia e assegura que, a ser eleito, vai dar especial atenção às pequenas e médias empresas, à classe média e à promoção da estabilidade social. Depois, a transparência na governação – Tang diz que a experiência aquirida nos últimos anos lhe permitiu perceber que há margem de manobra para fazer do Governo de Hong Kong uma estrutura mais pró-activa e produtiva. Sobre o processo de reforma política, o candidato promete a revisão do sistema eleitoral para que o sufrágio directo e universal chegue à região de forma justa e clara.

 

Em matéria de assuntos sociais, além da tradicional promoção da harmonia, Henry Tang assegura que irá trabalhar para que haja mais habitação pública. E também uma educação melhor, a forma de “combater a pobreza”.

 

Como a qualidade de vida também é uma das preocupações do ex-governante, do programa político consta a intenção de fazer de Hong Kong uma cidade mais verde e mais saudável.

 

Em suma: este homem nascido no ano do Dragão, que estudou Artes antes de se tornar empresário, diz que se for eleito vai fazer de Hong Kong uma cidade de que todos terão orgulho. Para já, sem a eleição garantida, Tang vive uma campanha atribulada, protagonista de vários escândalos, entre eles a vida extra-conjugal, que saltou para as páginas dos jornais e deu direito a um mea culpa do candidato, pai de uma vasta prole e que, nos tempos livres gosta de ouvir música, ir ao cinema, jogar badmington e andar de bicicleta.

 

Albert Ho

 

59 anos, licenciado em Direito, advogado de profissão e activista por vocação, dedicado às mais diversas causas, da defesa dos direitos humanos na China Continental ao sufrágio directo e universal em Hong Kong. Diz-se contra a autocracia – seja ela o colonialismo ou o comunismo.

 

Albert Ho nasceu em Hong Kong quando ainda havia uma rainha a dispor ao longe, no seio de uma família com seis filhos. Do pai guarda as melhores memórias: entre os vários empregos para alimentar a família, o progenitor ainda tinha tempo para ajudar Albert e os irmãos com os trabalhos de casa. Da experiência familiar, diz o candidato, ficou a noção de que, mais importante que o dinheiro, é a dedicação que se tem às causas privadas e às coisas públicas, que não é preciso ser-se político para se ter um papel na política, diz.

 

Presidente do Partido Democrático e secretário-geral da plataforma que junta os movimentos partidários pró-sufrágio universal em Hong Kong, Albert Ho está na política desde os anos 90. Curiosamente, entrou para o Conselho Legislativo no ano em que de lá saiu o agora rival Henry Tang, em 1998.

 

Recentemente, teve um papel fundamental na discussão da reforma política - negociações mantidas não só com o Executivo de Hong Kong mas também com o Governo Central.

 

Por cá, o político democrata é conhecido também por ser advogado de Winnie Ho, a irmã de Stanley Ho com quem o magnata do jogo tem uma longa e complicada quezília judicial.

 

Em 2006, num caso em que o nome de Macau foi veiculado pelas piores razões, Albert Ho foi atacado com violência num restaurante no centro financeiro de Hong Kong - três homens com bastões deixaram-no ferido no rosto e com o nariz partido. Um episódio que o Partido Democrático associou à actividade profissional de Albert Ho, afastando a possibilidade de ser uma vingança de natureza política. O candidato a Chefe do Executivo assegura que o incidente não o deixou amedrontado, pelo que continua a ir ao mesmo restaurante. Isto quando não está em greve de fome, um hábito semanal que adoptou para defender os direitos dos colegas advogados na China Continental. Ho é da vozes de Hong Kong que frequentes vezes se insurge contra o sistema judicial chinês.

 

CY Leung

 

Lutou muito na vida para chegar onde está agora e tem orgulho em ser um selfmade man. CY Leung, nome de guerra de Leung Chun-ying, nasceu em Hong Kong em 1954. Filho de um polícia, único rapaz em casa, teve uma infância de dificuldades –  começou a trabalhar cedo para ajudar ao equilíbrio das finanças caseiras.

 

Licenciou-se em gestão e especializou-se no sector imobiliário, área em que fez fortuna ainda muito novo. O imperador da classe trabalhadora, como lhe chamam, teve uma experiência no estrangeiro: foi para o Reino Unido estudar e foi longe de casa, numa associação de alunos chineses ultramarinos, que ensaiou os primeiros passos como dirigente. No regresso, seriam úteis na discreta actividade política.

 

CY voltou a Hong Kong no ano da transferência de soberania e rapidamente encontrou um lugar de destaque no sector imobiliário. Quanto à actividade pública, o homem que até Setembro último tinha a responsabilidade de convocar o Conselho Executivo desempenhou funções na City University de Hong Kong, nem sempre com sucesso – uma das várias polémicas em que está envolvido diz precisamente respeito à forma como geriu os trabalhadores da universidade.

 

Acusado de falta de experiência, CY Leung não vê qualquer problema no facto de não ter ocupado um lugar de relevância na estrutura política de Hong Kong: diz que Barack Obama também não tinha um longo currículo e isso não impediu que chegasse a presidente dos Estados Unidos. CY tem, no entanto, boas ligações a Pequim – ou não fosse ele membro do Comité Permanente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Há quem diga que tem tantas hipóteses de ganhar as eleições como o rival Henry Tang. CY Leung acredita que o trabalho feito vai ao encontro das aspirações da população de Hong Kong, que deseja um líder novo, “íntegro e competente".

 

A edição especial do Paralelo 22 sobre as eleições de Hong Kong pode ser ouvida aqui ou terça-feira, às 10h30, na 98 FM.