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Pequim apoia apostas desportivas em Hainão
Segunda, 16/04/2018
A China apoia a “exploração do desenvolvimento de apostas de desporto e lotarias instantâneas em competições internacionais de larga escala” na ilha de Hainão.

De acordo com o jornal estatal chinês Global Times, é isso que refere o plano anunciado na noite de sábado pelo Governo Central.

O objectivo, antigo, é transformar finalmente Hainão num destino global de turismo.

Na edição “online”, o diário Global Times escreve hoje que Pequim “vai encorajar corridas de cavalos e alargar as lotarias de desportos como parte de um esforço para transformar a província mais a sul do país numa área piloto para expandir políticas de abertura”.

Apesar da especulação de que as novas orientações podem abrir caminho aos casinos na ilha, analistas chineses ouvidos pelo Global Times consideram “improvável” a hipótese de Pequim legalizar o jogo.

O director do Centro de Pesquisa de Lotarias de Desporto, Li Hai, é citado pelo Global Times a afirmar que o desenvolvimento destas lotarias “não significa que a China vai mais tarde flexibilizar a proibição do jogo”.

Nesse sentido, o especialista acrescenta que “são muito pequenas as probabilidades de a China permitir casinos em Hainão no futuro próximo”.

As lotarias de desporto são permitidas na China desde 2001 e, nos últimos anos, o Governo Central tem trabalhado com a indústria no sentido de alargar a actividade a competições domésticas.

Nestas declarações ao Global Times, o director do Centro de Pesquisa de Lotarias de Desporto também prevê que “são possíveis em Hainão corridas de cavalos”, lembrando que Pequim tentou abrir esse sector na província de Guangdong na década de 1990.

Questionado ontem sobre o eventual impacto em Macau do desenvolvimento do turismo em Hainão, o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, afirmou, de acordo com um comunicado divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social, que o Governo de Macau tem estado “atento a eventuais influências e está empenhado em tornar, de um modo geral, o turismo de Macau ainda mais atractivo, a fim de responder à competitividade e desafios trazidos por outras regiões”.

Segundo o que foi anunciado na noite de sábado pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês e pelo Conselho de Estado, a China vai criar em Hainão uma zona de comércio livre com o objectivo de atrair grandes empresas multinacionais, para que estabeleçam na ilha as sedes regionais ou nacionais.

O objectivo inicial das autoridades é que a zona de comércio livre de Hainão esteja operacional em 2020, seja um porto livre em 2025 e alcance o pleno desenvolvimento em 2035.

O Governo Central pretende ainda criar um fundo para gerir os investimentos em Hainão, com o objectivo de prosseguir com o processo de abertura e reforma da economia.

A ilha será uma zona piloto também na progressiva retirada de veículos alimentados por combustíveis fósseis, que deverão ser substituídos por eléctricos.

A primeira zona de comércio livre na China foi criada de forma experimental em Xangai, em Setembro de 2013.

Hainão, uma ilha de 35.400 quilómetros quadrados, recebeu mais de 60 milhões de turistas em 2016, maioritariamente chineses, e tem o objectivo de chegar aos 80 milhões em 2020.

Hugo Pinto