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Especial Eleições Hong Kong: voto simulado no dia 23
Domingo, 18/03/2012

O próximo Chefe do Executivo de Hong Kong é escolhido no próximo domingo por um Colégio Eleitoral de 1200 membros, mas os residentes do território vizinho também vão ser chamados a pronunciar-se, num escrutínio simulado que o Programa de Opinião Pública da Universidade de Hong Kong vai organizar no próximo dia 23.

 

“Com este referendo queremos permitir que as pessoas, quando se dirigirem às várias urnas, possam dizer que candidato preferem. E também temos uma plataforma na internet para que as pessoas possam votar em casa ou mesmo com os smartphones”, explica o mentor do projecto, o académico Robert Chung, em declarações à jornalista Marta Melo, no magazine de informação da Rádio Macau Paralelo 22.

 

A Internet é a grande aposta para este referendo, já que é um método mais barato, mais cómodo e as pessoas podem votar a qualquer hora. Se inicialmente a ideia era abrir as “urnas” aos maiores de 18 anos, agora também os menores vão poder dizer de sua justiça. “O projecto mais importante é, claro, o referendo para todos os maiores de 18 anos. Mas dois dias antes haverá uma eleição nas escolas primárias e secundárias”, adianta o docente, para quem a ideia do projecto é não só fazer a experiência do voto electrónico, mas também dar voz à população de Hong Kong.

 

“A maioria da população de Hong Kong só pode ver a sua opinião sobre os candidatos expressa nas sondagens, que é algo que temos feito nos últimos 20 anos. Mas este tipo de opiniões são ‘passivas’, ou seja, nós fazemos uma chamada e a pessoa dá-nos uma resposta. Fazemos milhares de chamadas ao acaso e apenas algumas pessoas acabam por estar envolvidas. Claro que temos uma opinião científica sobre o que pensam as pessoas. Mas, para o referendo, é completamente diferente.  O conceito é que pessoas façam um esforço para votar. Se não votarem, basicamente abstêm-se e a sua opinião não conta. Pensamos que os  referendos são um teste à democracia”, argumenta Robert Chung.

 

A iniciativa foi apresentada há cerca de um mês com um primeiro objectivo de angariar meio milhão de dólares de Hong Kong, para financiar as despesas. As expectativas, no entanto, foram superadas e os donativos já ultrapassam os 800 mil dólares de Hong Kong.

 

Mas até que ponto a população de Hong Kong está disponível para este voto simulado? Robert Chung faz as contas e apresenta as suas estimativas: “Temos como referência o custo de todos os boletins de voto para as eleições oficiais, que são bastante caros. Cada boletim custa ao erário público entre 130 a 150 dólares de Hong Kong. Se nós tivéssemos meio milhão de dólares isso iria representar para estas eleições entre a população quatro a cinco mil votos - o que é um número pequeno, que não nos deixava satisfeitos. Com o voto electrónico pensamos que os custos são menores. [...] Se conseguirmos 100 mil votos electronicos não seria bom: seria perfeito! Ainda não sabemos quantas pessoas vão votar, ainda é um pouco cedo. Mas penso que seremos capazes de conseguir entre 40 mil a 50 mil votos.”

 

Na próxima sexta feira vão estar abertas dez mesas de voto, de acordo com Robert Chung. Mesas que vão ser distribuidas pelos locais mais movimentados da cidade mas não só. “Estamos a explorar a possibilidade de ter estações móveis usando mini-autocarros. Estamos ainda a estudar, mas, provavelmente, vamos ter cinco ou dez mini-autocarros”, explica o académico.

 

O voto electrónico está disponível a partir da meia-noite de sexta-feira até as 20 horas. Nas ruas, as mesas vão estar abertas desde as nove da manhã às nove da noite, com os resultados a serem divulgados ainda na noite de sexta-feira.

 

Robert Chung espera que o referendo possa influencia os votos do Colégio Eleitoral, no domingo, mas lembra que o principal objectivo da iniciativa é “mostrar o que a população pensa sobre os candidatos”. “Vamos, ainda assim, ter estudos de opinião pública, mas agora teremos um sistema adicional que é o referendo. Com os resultados dos dois podemos mostrar à população - e ao Colégio Eleitoral - o que pensam os residentes sobre os candidatos. Por isso espero que os 1200 membros, quando forem votar, tenham em consideração esses resultados.

 

As declarações de Robert Chung podem ser ouvidas este domingo, ao meio-dia, no Paralelo 22, hoje dedicado na íntegra às eleições para o Chefe do Executivo em Hong Kong. A partir desta tarde, o magazine de informação da Rádio Macau pode ser ouvido também aqui, na nossa página da internet, ou então na terça-feira, às 10h30, na 98FM.