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Albert Ho à Rádio Macau: "Sou o único candidato limpo"
Domingo, 18/03/2012

Albert Ho assume-se como o único candidato “limpo” na corrida às eleições para o cargo de Chefe do Executivo de Hong Kong. Em entrevista à Rádio Macau, no magazine de informação Paralelo 22, o líder do Partido Democrático reconhece que não tem hipóteses de vencer no próximo domingo, mas lembra que a sua participação nas eleições faz parte da campanha pela democracia.

 

“Actualmente, sou o único que está livre de uma campanha negativa e livre de escândalos. Estou orgulhoso de dizer isto: ‘Tenho a ficha livre.’ Sou a única pessoa limpa, mas mesmo assim sou expressamente rejeitado por Pequim”, afirmou Albert Ho, em entrevista à jornalista Marta Melo. 

 

“Sempre tomei estas eleições como parte da campanha pela democracia. Tornei claro, desde o princípio, que não tenho esperanças de ser eleito por causa da injustiça do sistema. E, automaticamente, Pequim tem a última  palavra. Mas, ainda assim, penso que a voz do povo de Hong Kong deve ser ouvida”, justificou o candidato do Partido Democrático, que tem como adversários, nestas eleições, os dois candidatos pró-Pequim Henry Tang e CY Leung.

 

Albert Ho, o único dos três candidatos que aceitou conceder uma entrevista à Rádio Macau, afirma que é “difícil antever” os resultados das eleições de domingo, mas mostra-se convicto de que talvez não obtenha mais de 300 votos do Colégio Eleitoral – metade dos necessários para ser eleito. “Consegui 188 nomeações que me permitiram candidatar. Talvez haja quem vá votar por mim, agora por causa da insatisfação com os outros dois candidatos. Mas podem não ter a coragem de o fazer e acabar por não tomar uma posição. Penso que não vou ser capaz de ter mais de 250 ou 300 votos. Isso é quase certo”, adiantou.

 

Além da defesa do sufrágio universal, o programa eleitoral de Albert Ho destaca a eliminação da pobreza como uma das principais políticas sociais e económicas a desenvolver. “Quero estabelecer uma comissão anti-pobreza para ser liderada pelo Chefe do Executivo e apoiada por comissões interdepartamentais. Devemos traçar um objectivo para a  pobreza de forma a reduzir, tão depressa quanto possível, o número de pessoas que vivem abaixo da probreza. Quero ainda fazer o meu melhor para reduzir o fosso entre os extremamente ricos – há um por cento de super-ricos – e o resto de nós que representamos 99 por cento da população”, explicou o candidato, lembrando que “a disparidade de salários está a tornar-se cada vez maior e isso é algo que não agrada à  população de Hong Kong”.

 

A formação dos jovens é outro dos objectivos da candidatura do pró-democrata: “Quero criar mais oportunidades para os jovens investindo mais dinheiro na educação. Deviam ser 15 anos de escolaridadade gratuita, com os jardins de infância a serem considerados parte do sistema educativo. Devíamos criar turmas pequenas no ensino secundário e devíamos aumentar o número de lugares para estudantes universitários, aumentando a percentagem de admissões acima dos 25 por cento em dois anos.”

 

Ainda quanto a políticas sociais, Albert Ho dá prioridade aos idosos e defende a construção de mais casas, lares e enfermarias para a terceira idade.  

 

Albert Ho avalia também os sete anos de Donald Tsang no cargo de Chefe do Executivo da RAEHK. Na hora da despedida do actual líder do Governo de Hong Kong – que deixa o cargo no final de Junho -, o candidato pró-democrata não se mostra muito satisfeito, mas reconhece que foram tomadas algumas medidas.

 

“Não tem estado acima das expectativas da população de Hong Kong. Ainda assim, avançou com algumas das promessas feitas no programa eleitoral: apresentou a lei da concorrência, fez passar a lei do salário mínimo, propôs subsídios para os idosos - medidas que já foram implementadas. Mas falhou em termos dos problemas da pobreza. Permitiu que o sector imobiliário se tornasse parte [importante] da estrutura económica”, avaliou Albert Ho, lembrando ainda os últimos acontecimentos que mancharam a imagem de Donald Tsang, como as alegadas viagens pagas por empresários.

 

Nesta entrevista ao Paralelo 22, o candidato deixou também algumas palavras sobre Macau. “As duas regiões têm vindo a aproximar-se. Mas, às vezes, há também uma certa competição entre os dois territórios, porque penso que os dois Chefes do Executivo lutam na forma como são vistos por Pequim. Querem impressionar para competir, de alguma maneira, entre eles. É interessante ver, mas, num aspecto, Hong Kong está à frente de Macau: na democracia”, defendeu Albert Ho, acrescentando que, no seu entender, Hong Kong tem mais “liberdade de expressão, mais liberdade para protestar” e “mais maturidade nos partidos políticos”.

 

Estas e outras declarações de Albert Ho podem ser ouvidas na íntegra no magazine de informação da Rádio Macau, que vai para o ar este domingo, ao meio-dia, com uma edição especial dedicada totalmente às eleições para o cargo de Chefe do Executivo de Hong Kong. O Paralelo 22 pode também ser ouvido a partir desta tarde, na nossa página da Internet, ou na 98 FM, na próxima terça-feira, às 10h30.