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BCP com lucros de 67 milhões de patacas
Sábado, 17/03/2012

A sucursal do BCP obteve lucros de 67 milhões de patacas em 2011, revelou no Rádio Macau Entrevista, José João Pãosinho, director-geral do banco em Macau. Em 2012, o BCP prevê lucros entre os 60 e os 65 milhões de patacas, depois de ter fechado o último ano com créditos de 1800 milhões e depósitos de três mil milhões de patacas. O BCP continua a aguardar que lhe seja atribuída uma licença para operar na China, o que deverá acontecer num prazo de um ou dois anos.

 

O economista, com mais de 20 anos de experiência em Macau, considera que a aposta no imobiliário é um bom investimento nos próximos anos e perspectiva que o preço das casas vai continuar a aumentar em Macau . A ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai e a economia chinesa vão contribuir para que a médio prazo se justifique comprar casas em Macau.

 

“A China vai continuar a ser uma máquina de produção de classe média, aquilo a que chamam de fábrica de riqueza. Por outro lado, existe um outro facto que as pessoas em Macau por vezes esquecem e que é o seguinte: está em curso a construção de uma ponte entre Hong Kong, Zhuhai e Macau. Essa ponte, após estar construída, vai permitir a alguém deslocar-se entre Hong Kong e Macau em meia hora. A minha questão é: por que é que alguém há-de estar a pagar preços exorbitantes em Hong Kong por um apartamento ou renda e gastar uma hora ou hora e meia de transporte até Central, se talvez com meia hora ou 45 minutos o pode fazer a partir de Macau?”, comentou José João Pãosinho.

 

A Ilha da Montanha pode ser uma boa alternativa para os negócios das empresas e bancos de Macau, mas não resolve todos os problemas do território e não será a panaceia para a diversificação económica, assegura o economista.

 

“A não ser que a circulação de pessoas, de mercadorias e de capitais entre Macau e a Ilha da Montanha seja totalmente livre – o que eu não acredito - a hipótese de diversificar a economia de Macau com base na Ilha da Montanha pode ser um perfeito mito. Porque se eu, empresário em Macau, pretender desenvolver uma actividade na Ilha da Montanha mas para isso estou sujeito a todas as restrições que a legislação chinesa me impõe, a minha questão é: 'Porquê a Ilha da Montanha e por que é que eu não o fiz já em Zhuhai?’ Portanto, salvo se o quadro legal da Ilha da Montanha for substancialmente diferente daquele que se verifica actualmente em Zhuhai, eu julgo que a Ilha da Montanha não será uma solução tão evidente como está a ser apregoado”, defendeu, mostrando-se também contra a abertura da fronteira 24 horas por dia, por entender que a medida pode acabar com o comércio e muitos outros negócios em Macau.

 

Quanto à economia chinesa, o director- geral da sucursal de Macau do BCP lembra que “os economistas apontam que uma taxa de seis a sete por cento é a taxa mínima que a China deve crescer para que a população continue a subir o seu nível de vida”. Mas José João Pãosinho deixa um aviso: “Quando este PIB começa a crescer a taxas superiores a dez por cento, temos estrangulamentos que fazem disparar a inflação. E os disparos de inflação criam também problemas de outra natureza e começam a afectar não apenas o mundo real, mas, sobretudo, a população urbana.”

 

Já no que diz respeito ao papel de Macau como ponte de ligação com os países de língua portuguesa, o economista considera que a RAEM necessita urgentemente de linhas de crédito para financiar os negócios com o mundo lusófono.

 

“Um dos grandes bloqueios que tem havido ao desenvolvimento da plataforma de negócios de Macau é exactamente a ausência dessas linhas de financiamento. Porque, quer queiramos quer não, os bancos são avessos às geografias africanas. A maior parte dos bancos em Macau, se qualquer um dos empresários de Macau disser 'vou exportar 50 milhões de patacas para Angola e a empresa que vai importar vai-me entregar uma carta de crédito emitida por um determinado banco angolano’, tenho muitas dúvidas que a maior parte dos bancos em Macau estejam na disposição de fazer o desconto dessas cartas de crédito”, comentou o director-geral da sucursal de Macau do BCP.

 

A entrevista a José João Pãosinho, conduzida pelo jornalista Gilberto Lopes, pode ser ouvida aqui, na nossa página da Internet, ou esta segunda-feira, às 10h30, na retransmissão do Rádio Macau Entrevista.