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CPU: Adiada discussão sobre projecto em Cheoc Van
Quinta, 29/03/2018
O Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) adiou hoje a discussão sobre um projecto de clubhouse em Cheoc Van, Coloane.

Com 2.001 metros quadrados, o edifício é de 1992 e está localizado na Rua dos Três Jardins de Cheoc Van. O espaço tem a finalidade de comércio, restauração e clube, mas o proprietário já manifestou que quer ali desenvolver um hotel de baixo custo. Essa intenção já era conhecida aquando de uma reunião do CPU em Julho do ano passado.

A ideia de adiar a discussão sobre a planta de condições urbanísticas para a renovação do clube partiu do proprietário do edifício, que esta semana enviou uma carta ao CPU nesse sentido.

Os membros votaram o adiamento, mas não atingiram o quórum de dois terços necessários para suspender a discussão. Acabou por ser o presidente do CPU, Li Cafeng, a adiá-la.

Antes, porém, vários membros discutiram a hipótese da transformação do clube em hotel de pequena escala. Foi o caso de Paul Tse, presidente da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial.

O também membro do CPU e arquitecto Rui Leão discordou da ideia de manter as características do projecto como clube com lojas e comércio só porque “já está assim".

“As regras de urbanismo foram definidas para este desenvolvimento antes da passagem de soberania. A construção foi nos anos 1990, mas nessa altura Macau não tinha como objectivo ser um centro mundial de lazer e turismo”, resumiu Rui Leão.

Referindo-se ao clube, o arquitecto pediu “para se reconsiderarem coisas que até aqui não funcionaram” e sublinhou que Macau não pode ser “só casinos e resorts”.

“A possibilidade de criar alternativas para as pessoas poderem passear em Coloane, na natureza, são tudo coisas que qualificam, e muito, por pequenos que sejam os equipamentos, a experiência que Macau pode oferecer enquanto centro de turismo e lazer internacional”, acrescentou.

Na reunião foi referida uma carta publicada esta semana num jornal, por moradores daquela zona de vivendas em Cheoc Van, os quais já manifestaram estar contra a intenção do proprietário do espaço. Alguns dos conselheiros do CPU observaram a importância de residentes e o proprietário chegarem a consenso.

Durante a reunião foram também aprovadas plantas de condições urbanísticas na Travessa do Roquete e Travessa da Misericórdia, com a finalidade de habitação e comércio. No total são 805 metros quadrados junto à Praça do Leal Senado, no centro histórico e património da UNESCO. O ponto mais alto do edifício não pode exceder os 20,5 metros, de acordo com parecer do Instituto Cultural.

Em contrapartida, uma das plantas de condições urbanísticas não aprovada e devolvida às Obras Públicas foi a de um lote de terreno na Rua Central de T’oi San, nº 200, depois de vários membros terem levantado dúvidas sobre a altura prevista de 50 metros.

Fátima Valente