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Brasil: Fundo chinês não é “assistência ao desenvolvimento”
Quinta, 22/03/2018
O Brasil, que é até agora o campeão dos financiamentos ao abrigo do fundo chinês de mil milhões de dólares – conseguiu apoio para dois dos quatro projectos financiados – diz que o fundo não pode ser visto como “assistência ao desenvolvimento”.

“Acho que o acesso aos recursos depende sobretudo de projectos bem elaborados, com taxas de retorno bem estabelecidas, de qualidade. Há uma abudância de liquidez no mundo para financiar projectos. O difícil é encontrar bons projectos”, começou por dizer o embaixador do Brasil acreditado em Pequim, Marcos Caramuru de Paiva.

“Nao é justo afirmar que as dificuldades estão pela liberalização dos recursos. Acho que é uma via de duas mãos. Os recursos têm de existir, mas os projectos têm de ser de qualidade. Nós não estamos falando de assistência ao desenvolvimento. Estamos falando de investimentos”, sublinhou.

O Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa foi anunciado em 2010 pelo então primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e activado em junho de 2013.

Em 2017, o fundo de mil milhões de dólares estava a analisar mais de 20 projetos, incluindo de Portugal e Timor-Leste.

Até à data o fundo chinês aprovou quatro projectos. Dois do Brasil no ramo da energia solar e hidroeléctrica, e outros dois de Angola e Moçambique.

Na quarta-feira, no seminário que assinalou os 15 anos do estabelecimento do Forum Macau, vários representantes dos países de língua portuguesa lançaram críticas ao fundo chinês. As críticas chegaram também de Angola, que já conseguiu financiamento do fundo de mil milhões de dólares para o fornecimento de equipamentos para transmissão e distribuição de eletricidade.

Dizem os representantes dos países de língua portuguesa que não é fácil para as pequenas e médias empresas financiarem projectos e pedem melhorias no mecanismo de acesso.

Para Manuel Amante da Rosa, antigo secretário-geral adjunto do secretariado permanente do Fórum de Macau, o melhor era o fundo voltar às origens, porque desde que foi transformado em capital de risco, isso cria dificuldades aos países de língua portuguesa.

Já a secretária-geral do Fórum Macau, Xu Yingzhen, recorda que o fundo chinês tem gestão autonóma.
“Essse fundo não é administrado pelo Fórum. Vamos transmitir esses comentários. E vamos tratar que essa relação entre o fundo e o sector empresarial possa ser melhorada”, afirmou.

Fátima Valente