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Bo Xilai correu riscos em demasia, diz Arnaldo Gonçalves
Quinta, 15/03/2012

O ex-ministro do Comércio Bo Xilai foi afastado da direcção do Partido Comunista Chinês. De acordo com a Xinhua, Bo Xilai vai ser substituído pelo vice-primeiro-ministro Zhang Dejian. O afastamento acontece cerca de um mês e meio depois da detenção do antigo chefe da polícia de Chongqing e braço direito de Bo Xilai.

 

Para Arnaldo Gonçalves, especialista em assuntos internacionais, este afastamento não é surpreendente. “É uma figura pública que se expôs um pouco, o que é contra a tradição dos militantes comunistas de topo, que têm uma postura mais discreta, procuram encobrir as suas intenções e protagonismo”, realça.

 

O analista fala numa “acumulação de vários sinais” que terão levado “ao desagrado do núcleo fundamental do poder da China”, causado por “uma certa ostentação”. Arnaldo Gonçalves recorda um incidente recente do filho do ex-ministro do Comércio, surpreendido em Pequim pela polícia num carro de luxo. Depois, o caso do antigo chefe da polícia de Chongqing deu origem a muitas especulações e a uma atenção especial da imprensa ocidental, que veiculou a possibilidade de a mulher de Bo Xilai estar envolvida em negócios e actividades empresariais.

 

“Havia um grande emaranhado que naturalmente iria prejudicar a transição de poder na China”, aponta Gonçalves. “Quer Hu Jintao como secretário-geral, quer o triângulo de líderes preferiram tomar uma posição para limpar o caminho, para que a transição para Xi Jinping e Li Keqiang se faça com tranquilidade.”

 

Em suma, Bo Xilai correu “riscos” em demasia. A liderança chinesa sabe que o mundo está atento ao que este ano vai acontecer no país. “Qualquer percalço seria lido como uma falta grave nesta transição política, que teria impactos desagradáveis, porque uma instabilidade de liderança na China terá um efeito de boomerang em relação à estabilidade da Ásia-Pacífico e na relação com outros poderes mundiais”, conclui o especialista em assuntos internacionais.